Tudo sobre CHOQUE em 8 minutos!

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IDENTIFICAR, AGIR E AVALIAR

A sobrevida do paciente em Choque depende do elo entre esses três fatores: identificar, agir rapidamente e avaliar a resposta! E é o embasamento cientifico o responsável pela coesão, que neste ponto que estamos discutindo, o choque, representa a tênue linha entre a vida e a morte do paciente.

Por isso, nós do Enfermeiro Aprendiz  vamos recordar com você os principais conceitos sobre o  CHOQUE. Aqui você vai ler sobre:

  • Definição e fisiopatologia: entendo o que acontece com o corpo
  • Como o Choque evolui
  • Tipos de Choque
  • Assistência de enfermagem

Fisiopatologia: entendendo melhor o que acontece com o corpo

Choque  pode ser definido como uma síndrome caracterizada pela redução da perfusão tecidual sistêmica, levando a disfunção orgânica.

Imagine todas as células do organismo sem receber nutrientes e oxigênio?! Uma cascata de disfunções irão acontecer não é? Pois é, exatamente isso que acontece no quadro clínico do choque! Todos os órgãos sofrem por não receberem o aporte de que necessitam.

No choque, as células carecem de suprimento sanguíneo adequado e são privadas de nutrientes e oxigênio. Em tais condições, produzem energia através do metabolismo anaeróbico, gerando acidose metabólica.

Na tentativa de aumentar o aporte de glicose para células produzirem energia ocorre a glicogenólise e a glicólise. São liberados mediadores inflamatórios, cortisol, catecolaminas, glucagon e citocinas, resultando em: HIPERGLICEMIA; RESISTÊNCIA INSULÍNICA; AUMENTO DA PERMEABILIDADE VASCULAR

O corpo produz mecanismo para tentar retomar a hemostasia, que no inicio geralmente conseguem manter a pressão arterial dentro dos limites de normalidade. Mas, se não for revertido, o choque evolui para as fases progressiva e irreversível.

Como o Choque evolui?

O choque tem três estágios:

  • Compensatório
  • Progressivo
  • Irreversível

O ESTÁGIO COMPENSATÓRIO é caracterizado por manter a pressão arterial dentro dos limites devido aos mecanismos compensatórios.

A pressão arterial é regulada por barorreceptores localizados no seio carotídeo e no arco aórtico. Esses receptores são responsáveis por monitorar a volemia e regular as atividades neuronais e endócrinas.

Quando a pressão cai, a medula suprarrenal libera catecolaminas (adrenalina e noroadrenalina), que aumentam a frequência e a contratilidade cardíaca.

Os rins regulam a PA através do sistema renina angiotensina, liberando renina, que converte angiotensina 1 em angiotensina 2, um potente vasoconstritor. Ocorre redução do fluxo sanguíneo renal e consequente liberação de aldosterona, resultando em retenção de sódio. A elevada concentração de sódio estimula a liberação de hormônio anti diurético para reter água.

Também ocorre redução da perfusão periférica e aumento do aporte sanguíneo para os órgãos alvos: cérebro, coração e pulmões.

Sinais e Sintomas:

  • Oligúria ou anúria
  • Pele fria e pegajosa
  • Sons intestinais hipoativos
  • Taquicardia
  • Acidose metabólica + taquipneia (mecanismo compensatório)
  • Confusão mental

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O ESTÁGIO PROGRESSIVO inicia quando os mecanismos compensatórios não são mais suficientes para manter a pressão arterial normal. É caracterizado por hipotensão ( PA<90 mmHg ou 40 mmHg abaixo dos parâmetros basais).

A sobrecarga leva a falência da bomba cardíaca. Inúmeros mediadores químicos são liberados gerando aumento da permeabilidade capilar e edema. Os agentes pró-inflamatórios e anti-inflamatórios ativam o sistema de coagulação na tentativa de restabelecer a hemostasia.

As chances de sobrevida dependem da saúde geral antes do choque e do tempo que o organismo leva para restaurar a perfusão tecidual. A medida que o choque progride, os sistemas orgânicos descompensam.

Veja o que acontece em cada sistema nesse estágio:

  • No SISTEMA RESPIRATÓRIO o fluxo sanguíneo pulmonar diminuído e consequente hipoxia desencadeiam a liberação de mediadores inflamatórios. A resposta inflamatória leva a vasoconstrição pulmonar. Esse quadro é caracterizado por respirações rápidas e superficiais, roncos e sibilos difusos

*Os alvéolos hipoperfundidos param de produzir surfactante e colabam (murmúrios vesiculares ausentes)

*Os capilares começam extravasar gerando edema pulmonar (estertores) e disfunção de perfusão (efeito shunt)

           Essa condição é chamada de Lesão Pulmonar Aguda

  • No SISTEMA CARDIOVASCULAR a hipoxia e hipotensão resultam em taquicardia e arritmia. Pode ocorrer dor torácica ou até mesmo infarto agudo do miocárdio.
  • No SISTEMA NEUROLÓGICO a hipoxia cerebral pode resultar em confusão, agitação, sonolência, letargia e perda da consciência
  • No SISTEMA RENAL, a hipoperfusão pode levar a lesão renal aguda. Ocorre disfunção dos mecanismos renais relacionados à manutenção da PA e da manutenção do equilíbrio acido base
  • No FÍGADO, a hipoperfusão resulta em diminuição da capacidade de metabolizar fármacos e metabólitos (como amônia e acido lático). As enzimas hepáticas e a bilirrubina ficam elevadas podendo acarretar em icterícia
  • No SISTEMA GASTRO-INTESTINAL a isquemia pode provocar úlceras de estresse no estômago, aumentando o risco de sangramento. A mucosa do intestino delgado pode evoluir com necrose, desprendendo-se e causando diarreia sanguinolenta.
  • No SISTEMA HEMATOLÓGICO, as citocinas inflamatórias ativam a cascata de inflamação. Pode ocorrer coagulação disseminada com formação de múltiplos trombos e sangramento

No ESTÁGIO IRREVERSÍVEL, não há mais resposta ao tratamento. A insuficiência renal e hepática + metabolismo lático resulta em uma avassaladora acidose metabólica.  O sistema cardiovascular não é capaz de manter Pressão Arterial Média (PAM) adequada para a perfusão e mesmo com ventilação mecânica não há oxigenação adequada. Ocorre disfunção de multíplos órgãos e a morte é iminente.

REVEJA O ATENDIMENTO A PARADA CARDIO RESPIRATÓRIA CLICANDO AQUI

TIPOS DE CHOQUE

O que diferencia os tipos de choque é a fisiopatologia, a forma como inicia e evolui. São três os tipos:

  • Hipovolêmico
  • Cardiogênico
  • Circulatório ou distributivo ou vasogênico, sendo três subtipos:
    •    Séptico
    •    Neurogênico
    •    Anafilático

O choque hipovolêmico caracteriza-se por volume intravascular diminuído. A sequência de eventos inicia com diminuição da volemia, consequentemente chega menos sangue ao coração e diminui o débito cardíaco, comprometendo a perfusão tecidual. Pode ser ocasionado por exemplo por uma hemorragia.

Os principais sinais e sintomas são: pele fria, pegajosa, e taquicardia. A posição de tredelemburg é indicada.

O choque cardiogênico ocorre quando a capacidade do coração de bombear o sangue é comprometida. As causas podem ser coronarianas, como por exemplo no IAM, ou não coronarianas, relacionadas as condições que estressam o miocárdio como: hipoxemia, acidose, hipoglicemia, tamponamento cardíaco, insuficiência cardíaca.

Os principais sinais e sintomas são: dor precordial, fadiga, sensação iminente de morte, instabilidade hemodinâmica.

O choque distributivo ou circulatório ocorre quando o volume de sangue se represa nos vasos sanguíneos periféricos. Um evento precipitante leva à vasodilatação e ativação da resposta inflamatória, resultando em má distribuição do volume sanguíneo, retorno venoso diminuído, débito cardíaco diminuído e má perfusão tecidual.

De acordo com o evento precipitante pode ser subdivido em:

Choque Séptico: um ou mais focos infecciosos desencadeiam a resposta inflamatória sistêmica (SIRS).

Os principais sinais e sintomas são: febre, pele ruborizada, taquicardia, náusea, vômito e diarreia. Evolui com hipotermia e pele fria e cianótica.

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Choque neurogênico: pode ser causado por lesão espinal, hipoglicemia, anestesia espinal ou outra lesão do sistema nervoso. Ocorre perda de equilíbrio entre o sistema nervoso parassimpático e simpático, com predomínio do sistema parassimpático, que leva a vasodilatação sistêmica.

Os principais sinais e sintomas são: pela seca e quente, hipotensão e bradicardia.

Choque anafilático: é causado por uma reação alérgica extrema á algo, como um medicamento, um alimento, ao latéx ou até mesmo à picada de insetos. Só ocorre se a pessoa já tiver tido contato prévio com o antígeno. Esse choque é desencadeado por uma reação antígeno- anticorpo sistêmica. Geralmente tratado com adrenalina.

Os principais sinais e sintomas são: evolução rápida, hipotensão e comprometimento respiratório.

Cuidados de Enfermagem

A assistência de enfermagem irá variar muito de acordo com o tipo e evolução do choque, por isso o plano de cuidados deverá ser revisado constantemente e a equipe de enfermagem precisa estar próxima ao doente. O paciente em estado de Choque exige cuidados intensivos diante do risco iminente de morte.

Os principais cuidados de enfermagem são:

  • Controle de glicemia capilar
  • Manter monitor multi-paramêtrico
  • Coletar exames laboratoriais na urgência
  • Manter oxigenoterapia
  • Controle da dor
  • Determinar melhor decúbito de acordo com o tipo de choque
  • Acesso venoso calibroso

Lembre-se: drogas vasoativas, devem ser administradas por cateter venoso central em bomba de infusão contínua!

Referência Bibliográfica:

  • Smeltzer SC, Bare BG, Hinkle JL, Cheever KH. Choque e Síndrome da Disfunção de Múltiplos orgãos . In: Smeltzer SC, Bare BG, Hinkle JL, Cheever KH, Brunner& Suddart: tratado de enfermagem médico-cirúrgica.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011.p. 310-332.

 

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