Telenfermagem / Telecuidado – A Enfermagem Também Pode! Por Que Não?

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A telenfermagem é a utilização dos recursos tecnológicos e dos sistemas de comunicação em prol do desenvolvimento da enfermagem. Vários países utilizam a telenfermagem na gestão de cuidados de saúde com resultados positivos. Na enfermagem brasileira, este é um campo a ser explorado, já sendo utilizada por muitos serviços públicos e privados.

O uso da telenfermagem para prestar cuidado de enfermagem consiste em qualquer assistência de enfermagem à distância, mediada em parte ou completamente, por meios eletrônicos, seguindo os princípios criados pela American Academy of Ambulatory Care Nursing.

A área da tecnologia aplicada à saúde dispõe de ferramentas e instrumentos que servem de apoio à organização de informações, armazenando e processando os dados, contribuindo para o diagnóstico, orientação terapêutica e o acesso a informações para os diversos profissionais. Essa ação, além de divulgar o conhecimento na área da saúde, torna disponível o acesso, onde e quando ele for necessário, contribuindo para a resolução dos problemas de saúde nas diferentes especialidades.

A partir de 2010, com base nas portarias do Ministério da Saúde nº 4.270/10 e nº 2.546/11, o Programa Telessaúde Brasil passa a ser denominado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes e institui a teleconsultoria como ação primordial na Atenção Básica. Este serviço permite adequar a formação profissional com a necessidade regional, além de fornecer condições necessárias para a criação de uma rede de apoio que conheça as características das equipes de saúde.

Como telecuidar

O Projeto Telenfermagem representa um modelo de utilização da tecnologia. Constitui uma rede que promove educação, assistência, pesquisa e monitoramento à distância das principais doenças e problemas regionais, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias para intervir no processo saúde-doença nas comunidades, segundo os pressupostos do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, não significa que não possa funcionar em qualquer serviço. Assim, pretende-se:

  • Levantar problemas.
  • Buscar evidências científicas.
  • Discussão Multiprofissional dos achados.
  • Institucionalização dos protocolos.
  • Definição de atribuições dos membros da equipe.

Descrição da técnica

1- Realizar contato com o cliente, conforme data e horário agendado. O profissional deverá realizar três tentativas de chamada, com intervalo de 30 minutos entre elas. Caso não haja atendimento das chamadas durante três dias consecutivos, sem retorno do usuário será registrada a indisponibilidade para o telecuidado. Um novo agendamento poderá ser realizado após nova consulta presencial.

2- Identifica-se devidamente ao paciente.

3- Verificar a aceitação e disponibilidade do paciente para realização do atendimento. Em caso de negativa, verificar desejo do usuário de reagendar o atendimento.

4 – Realizar registro constante da resposta do paciente.

5 – Aplicar e registrar o índice de atividade realizada no paciente.

Protocolo de telecuidado

  • Finalidade: realizar levantamento de dados que possibilitem julgamento crítico voltado para a adesão do tratamento, promoção, prevenção e reabilitação de agravos à saúde.
  • Indicações: acompanhamento complementar terapêutico do paciente.
  • Contraindicações: déficit cognitivo, auditivo, indisponibilidade do paciente para atendimento telefônico.
  • Material e equipamentos: telefone, caneta, impressos próprios, índice de atividade da doença, padronização de orientações, prontuário do paciente.
  • Cuidados especiais / plano de contingências.
  • Atentar para situações que extrapolem a orientação à distância.

Atentar para o desejo do usuário a respeito da recepção do atendimento e adequação da linguagem para comunicação eficaz.

A telenfermagem no serviço de endoscopia

No serviço de endoscopia, essa é uma ferramenta muito utilizada, apesar de que acharmos que não. Qualquer orientação de enfermagem que você ofereça via telefone ao paciente que foi atendido pelo serviço que atua, você está praticando a telenfermagem/telecuidado. A enfermagem do serviço de endoscopia vive essa realidade quase que diariamente, tanto nas orientações no pré quanto nos pós exame, tais como:

  • Preparo de colonoscopia.
  • Pós-colonoscopia.
  • Polipectomia endoscópica.
  • Procedimentos de ligadura elástica.
  • Procedimento de gastrostomia endoscópica.
  • Colangiopancreatografia endoscópica.
  • Passagem de sonda na endoscopia.
  • Colocação de prótese.

No cenário dos serviços de endoscopia a telenfermagem vem contribuindo no processo de educação no trabalho, permitindo que o enfermeiro realize sua capacitação profissional no próprio local de trabalho. Nesse cenário, a telenfermagem vem melhorando a resposta do paciente, tanto na qualidade de atendimento do serviço ao paciente como na intervenção preventiva de qualquer que seja a queixa ou a reclamação do paciente, permitindo assim o Feedback adequado em tempo hábil.

 

Referências

Martins, Jaqueline Santos de Andrade. Proposição de uma teoria de enfermagem para o processo de interação em ambientes virtuais. / Jaqueline Santos de Andrade Martins. Rio de Janeiro: UFRJ/EEAN, 2012, 172 f.
Guia da nuvem da saúde: telemedicina, tecnologias educacionais interativas, objetos educacionais de aprendizagem e Projeto Homem Virtual / [coordenador] Chao Lung Wen. Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Barbosa IA, Silva KCCD, Silva VA, Silva MJP. The communication process in Telenursing: integrative review. Rev Bras Enferm [Internet]. 2016;69(4):718-25. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167.2016690421i
Faria MGA. Telessaúde Brasil – núcleo Rio de Janeiro: a educação permanente no trabalho de enfermeiros da atenção básica [dissertação de mestrado] Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2010.
Telessaúde UERJ. Quem somos. Rio de Janeiro. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2011. [Acesso em 2012 jun 04]. Disponível em: http://www.telessaude.uerj.br/site/quem-somos.php
Rodrigues RCV, peres HHC. Panorama brasileiro do ensino de enfermagem a distância. Rev Esc Enferm USP. 2008 jun; 42(2): 298-304.

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