Prostatite – Vamos Conhecer um Pouco Mais?

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A prostatite é uma inflamação da próstata que frequentemente está associada a sintomas do trato urinário inferior, desconforto sexual e disfunção sexual. Trata-se do diagnóstico urológico mais comum em homens com menos de 50 anos de idade e o terceiro mais comum em homens acima dos 50 anos, afetando de 5 a 10% dos homens.

A prostatite pode ser causada por agentes infecciosos como: fungos, bactérias e micoplasma; ou outras condições como: hiperplasia prostática benigna e estenose uretral. Na etiologia infecciosa, os microrganismos colonizam o trato urinário e ascendem até a próstata.

Existem 4 tipos de prostatite.

Tipo I – Prostatite bacteriana aguda – doença febril com início repentino e que apresenta sintomas gerais e do sistema urinário marcantes.

Tipo II – Prostatite bacteriana crônica – a evolução é mais lenta, é caracterizada por infecção urinária de difícil tratamento, é causada pela permanência da bactéria causadora da doença no líquido produzido pela próstata  mesmo com antibioticoterapia.

Tipo III – Prostatite crônica/síndrome de dor pélvica crônica (PC/SDPC) – observada em mais de 90% dos casos. Esse tipo é subclassificado em tipo IIIA que é a presença de leucócitos no sêmen após massagem da próstata ou tipo IIIB que consiste na ausência dos mesmos.

Tipo IV – Prostatite inflamatória assintomática.

Anatomia da próstata normal (A) e com prostatite (B).

Manifestações Clínicas

- Ocorrem início súbito de febre, dor prostática perineal, sintomas graves do trato urinário inferior e aumento da frequência urinaria.

- Na prostatite tipo I, cerca de 5% dos casos evolui para o tipo II.

- Os pacientes com a doença do tipo II geralmente não exibem os sintomas durante a evolução.

- Os pacientes com prostatite do tipo III, quando existe dor geniturinária, geralmente não apresentam bactérias na urina.

- Durante pesquisa de infertilidade, resultado elevado do teste de antígeno prostático específico (PSA) ou na avaliação de outros distúrbios, geralmente é quando identificam e dão o diagnóstico dos pacientes com prostatite tipo IV.

Avaliação

- Hemograma completo (se o paciente estiver muito enfermo).

- Bioquímica sanguínea, incluindo nível sanguíneo de ureia (se houver sintomas de obstrução ou retenção urinária).

- Exame de urina, incluindo exame urocultura, antibiograma e microscópico.

- Outros exames de imagem (quando existir disfunção significativa da micção).

Tratamento Clínico

O tratamento baseia-se no tipo de prostatite e nos resultados de cultura e antibiograma da urina. A admissão hospitalar pode ser necessária para pacientes debilitados ou imunossuprimidos, com sinais vitais instáveis, sepse ou dor pélvica refratária ou aqueles que apresentam diabetes melito ou insuficiência renal. Sendo assim, a meta do tratamento consiste em erradicar os agentes etiológicos.

Terapia Farmacológica

- Podem ser prescritos antibióticos, para o caso de isolamento das bactérias na urocultura, incluindo sulfametoxazol-trimetoprima (SMZ-TMP) ou uma fluoroquinolona (ciprofloxacino [Cipro]), e pode-se usar uma terapia contínua com antibióticos em dose baixa para suprimir a infecção.

- A terapia com bloqueador alfa-adrenérgico (tansulosina [Flomax]) pode ser prescrita para promover o relaxamento da bexiga e da próstata.

- Se o paciente não tiver febre e o exame de urina for normal, podem-se utilizar agentes anti-inflamatórios.

- Podem ser prescritas terapias não farmacológicas de suporte, incluindo biofeedback, fisioterapia, redução da retenção do líquido prostático por ejaculação através de relação sexual ou masturbação, avaliação das parceiras sexuais para reduzir a possibilidade de infecção cruzada, treinamento do assoalho pélvico, banhos de assento e emolientes fecais.

Cuidado de Enfermagem

- Administrar antibióticos, conforme prescrição médica.

- Recomendar agentes analgésicos, banhos de assento durante 10 a 20 minutos várias vezes ao dia como medida de conforto.

- Incentivar o consumo de líquidos apenas quando sentir sede, visto que é preciso manter níveis efetivos dos medicamentos na urina.

- Aconselhar o paciente a evitar permanecer sentado por longos períodos.

- Orientar o paciente a evitar alimentos e bebidas como: bebidas alcoólicas, café, chá, chocolate, entre outros produtos com ação diurética ou que aumentam as secreções prostáticas.

Orientação ao paciente sobre o autocuidado

- Incentivar o paciente a continuar com os autocuidados como o banho de assento, não consumo de alimentos ou bebidas diuréticas, evitar a estimulação e as relações sexuais durante os períodos de inflamação aguda e não permanecer sentado por longos.

- Orientar sobre a importância de completar o tratamento.

- Orientar a família e o paciente sobre a administração correta e segura nos casos de antibióticos IV em domicílio e encaminhar o paciente ao serviço de atendimento domiciliar.

- Orientar sobre a necessidade de acompanhamento médico durante 6 meses a 1 ano.

 

REFERÊNCIAS

CHIAPPINO, G.; PISANI, E. Doença da próstata de etiologia profissional. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho , [S.l.], v. 3, n. 1, p. 35-40, out. 2005. Disponível em: <http://www.rbmt.org.br/how-to-cite/170/pt-BR>. Acesso em: 11 maio 2018.
RAMIRES, R. et al. Prostatites: O estado da Arte. Acta Urológica Portuguesa , [S.l.], v. 18, n. 1, p. 35-40, 2001. Disponível em: <http://www.apurologia.pt/acta/1-2001/Prost-est-arte.pdf>. Acesso em: 11 maio 2018.
SMELTZER et al. Brunner & Suddarth, Manual de enfermagem médico-cirúrgica / revisão técnica Sonia.Regina de Souza; tradução Patricia Lydie Voeux. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

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