Orientações de Enfermagem ao Paciente com Lúpus Eritematoso Sistêmico

Tempo de leitura: 6 minutos

O que é Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?

É uma doença inflamatória crônica e multissistêmica que acomete quase todos os órgãos do corpo. O LES é resultado de um distúrbio da regulação imune que leva ao excesso de produção de autoanticorpos.

Fisiopatologia

É um distúrbio produzido por alguma combinação de fatores genéticos, fatores hormonais e fatores ambientais. Alguns medicamentos como procainamida (Pronestyl), hidralazina (Apresoline), clorpromazina (Thorazine), isoniazida (INH) e medicamentos anticonvulsivantes foram implicados no LES induzido por fármacos ou substâncias químicas. As células T e as células B também contribuem para resposta imune no LES, considerando que as células B são essenciais na promoção do início e das exacerbações da doença.

Epidemiologia

É uma doença rara, acometendo com mais frequência mulheres jovens (fase reprodutiva), a proporção é de nove a dez mulheres para um homem. Em estudos norte-americanos sua prevalência varia de 14 a 50/100.000 habitantes. É uma doença que pode ocorrer em todas as partes do mundo e em todas as raças.

Manifestações

Uma das características comuns do LES é o comprometimento do sistema musculoesquelético, com artrite (sinovite) e artralgias, também são comuns: dor com o movimento da articulação, hipersensibilidade e edema articular e são acompanhados de rigidez matinal. O LES pode ter um início agudo ou insidioso.

As de manifestações cutâneas podem ocorrer de várias formas diferentes, incluindo lúpus eritematoso cutâneo subagudo, que ocorrem lesões policíclicas papuloescamosas ou anulares, e o lúpus eritematoso discoide, que é um exantema crônico com pápulas ou placas eritematosas e descamação, podendo provocar cicatrização e alterações pigmentares. Em mais de 50% dos pacientes é observada a manifestação cutânea, que consiste em lesão cutânea aguda, formada por um exantema em forma de borboleta estendendo-se pelo nariz e pelas bochechas, já em alguns casos de lúpus eritematoso discoide, ocorre somente o comprometimento cutâneo.

Outras manifestações

– Os sintomas sistêmicos incluem febre, perda de peso, fadiga e possivelmente pleurite e artrite.

– Sistema cardiovascular – pericardite é comum como manifestação cardíaca clínica.

– Sistema renal – pode ocorrer nefrite denominada como nefrite lúpica.

– Manifestações neurológicas – alterações sutis no comportamento ou na capacidade cognitiva.

Diagnóstico

É baseado no histórico completo, exames de sangue e exame físico. O histórico por muitas vezes revela os sintomas mais comuns como perda de peso, possivelmente pericardite, pleurite, artrite, febre e fadiga. O histórico para pacientes com LES seja suspeito ou conhecido, apresentam aspectos especiais.

A pele deve ser inspecionada à procura de exantema eritematoso. No couro cabeludo, face ou pescoço podem ser observadas placas eritematosas cutâneas com uma escama aderente. Dependendo da fase ou do tipo da doença, podem ocorrer áreas de despigmentação ou de hiperpigmentação. Deve-se questionar o paciente sobre alterações cutâneas, pois elas podem ser transitórias e verificar quanto à sensibilidade à luz solar ou luz ultravioleta artificial.

Inspecionar o couro cabeludo quanto à alopecia, examinar boca e a garganta à procura de ulcerações, que podem refletir com o comprometimento gastrintestinal.

Na avaliação cardiovascular inclui ausculta para verificação de atrito pericárdico, pois pode estar associado à miocardite e acompanhado de derrames pleurais. As infiltrações e os derrames pleurais são os que refletem a presença de insuficiência respiratória, os quais apresentam pelos sons pulmonares anormais.

Pode ocorrer comprometimento vascular, nos quais são necessários verificar as lesões papulosas, eritematosas e purpúricas que aparecem nas pontas dos dedos das mãos, dedos dos pés, cotovelos, antebraços ou laterais da mão.

Tratamento

São necessárias prescrições direcionadas para controle da atividade aumentada da doença ou exacerbações que pode comprometer qualquer sistema orgânico. Para a condição mais crônica precisa de um monitoramento periódico e a verificação das alterações clínicas que exigem ajustes na terapia.

O tratamento consiste em reduzir a probabilidade de doença aguda, evitar a perda progressiva da função orgânica e evitar as complicações decorrentes da terapia.

Terapia farmacológica

– Utilizam-se agentes anti-inflamatórios não esteroides (AINE) com corticosteroides.

– Para as manifestações cutâneas, utilizam-se topicamente os corticosteroides.

– A administração intravenosa (IV) de corticosteroides constitui uma alternativa para o seu uso tradicional oral em doses altas.

– Os medicamentos antimaláricos mostram-se efetivos no tratamento das manifestações cutâneas, musculoesqueléticas e sistêmicas leves do LES.

– Os agentes imunossupressores (agentes alquilantes e análogos da purina) são usados devido aos seus efeitos sobre a função imune. No geral, esses medicamentos são reservados para pacientes que apresentam formas graves do LES, que não responderam às terapias conservadoras.

Orientações de enfermagem

Os principais diagnósticos de enfermagem incluem comprometimento da integridade da pele, fadiga e conhecimento deficiente, fazendo-se necessário:

– Demonstrar sensibilidade diante das reações psicológicas do paciente às alterações e à evolução repentina da doença.

– Incentivar a participação do paciente em grupos de apoio, os quais podem fornecer informações sobre a doença, apoio social e manejo diário.

– Orientar o paciente a evitar a exposição à luz ultravioleta e a exposição ao sol, usar roupas protetoras e filtro solar.

– Orientar sobre a importância das triagens periódicas de rotina e as atividades de promoção da saúde, devido ao risco do comprometimento de múltiplos sistemas orgânicos.

– Orientar sobre a importância dos medicamentos prescritos e sobre os efeitos colaterais potenciais que tendem a ocorrer.

– Orientar sobre a importância do monitoramento devido ao risco aumentado do comprometimento sistêmico, incluindo efeitos renais e cardiovasculares.

REFERÊNCIAS

BORBA, Eduardo F. et al. Consenso de Lúpus Eritematoso Sistêmico. Rev. Bras. Reumatologia , [S.l.], v. 48, n. 4, p. 196-207, jul. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbr/v48n4/v48n4a02>. Acesso em: 19 mar. 2018.
NERO, M. Mateus P. et al. Complicações e doenças associadas ao lúpus eritematoso sitémico. ACTA REUM. PORT. , [S.l.], v. 28, p. 141-147, 2003. Disponível em: <http://www.spreumatologia.pt/sites/spreumatologia.pt/files/pdfs/ARP_2003_3_141_Complicacoes_e_doencas_associadas_ao_lupus_eritematoso_sistemico_Jul-Set_03.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2018.
SATO, Emilia I. et al. Consenso brasileiro para o tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES). Rev. Bras. Reumatologia , [S.l.], v. 42, n. 6, p. 362-370, nov. 2002. Disponível em: <http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1415190635Consenso%20Bras%20Lupus.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2018.
Smeltzer et al. Brunner & Suddarth, Manual de enfermagem médico-cirúrgica / revisão técnica Sonia.Regina de Souza; tradução Patricia Lydie Voeux. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

Comentários

comentários