Óbito Fetal Intra-uterino e a Atuação da Enfermagem

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O óbito fetal é algo muito difícil para as mulheres e seus familiares. Diante disso, vamos conhecer um pouco mais e saber a atuação da enfermagem.

O Ministério da Saúde conceitua-o como o “óbito ocorrido intraútero em qualquer idade gestacional, a partir da fecundação, antes da exteriorização completa do corpo materno”. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como “óbito fetal aquele ocorrido em qualquer momento da gravidez, independentemente de sua localização, incluindo abortos e gestações extrauterinas, ovo morto ou retido, aborto retido de primeiro ou segundo trimestre e também o feto morto no terceiro trimestre, até o final da gestação”.

As causas podem ser maternas ou fetais. Como causas maternas, as mais comuns são: desnutrição materna, diabetes mellitus, anemias, trauma materno, hipertensão crônica, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, tabagismo e gestação prolongada. Já as causas fetais podem ser malformações congênitas fetais, comprometimento da vitalidade fetal e infecções congênitas nas quais o feto e o recém-nascido podem adquirir infecção causada por vários micro-organismos como bactérias, vírus, protozoários e fungos. Por fim, a principal causa anexial é a insuficiência placentária.

O óbito fetal pode ser classificado como precoce até 20 semanas de gestação e peso fetal até 500 gramas; intermediário: entre 20 e 28 semanas de gestação e peso fetal entre 500 e 1000 gramas e tardio: a partir de 28 semanas de gestação e peso superior a 1000 gramas.

Destaca-se que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui regulamentação da vigilância de óbito materno, infantil e fetal para apurar suas etiologias e melhorar as medidas de prevenção e controle. Uma das ações adotadas foi a implantação dos comitês de óbito materno, infantil e fetal como uma importante estratégia para a melhoria do sistema de registro desses óbitos e aumento da qualidade das informações referentes aos eventos, objetivando intervenções para a redução da mortalidade. A ocorrência é em torno 6:1.000 nascidos vivos.

Para obtenção da confirmação do óbito, podem ser verificados o diagnóstico clínico e diagnóstico por ultrassonografia.

Diagnóstico Clínico

  • Parada de movimentação fetal.
  • Diminuição do peso corporal materno.
  • Interrupção do crescimento uterino.
  • Redução da quantidade de líquido amniótico à palpação.
  • Ausência de batimentos cardíacos fetais.

Diagnóstico por Ultrassonografia

  • Ausência de movimentação fetal associada à ausência de batimento cardíaco fetal.
  • Na dependência do tempo do óbito, podem ainda estar presentes alterações indicativas de redução do líquido amniótico e alterações estruturais fetais.

Para comunicar à mãe sobre o diagnóstico, o Ministério da Saúde sugere algumas frases como: “Eu estou muito preocupado com o bem-estar do seu bebê e não estou conseguindo detectar os batimentos cardíacos. Precisamos realizar uma ultrassonografia.”. “Eu trago notícias um tanto desagradáveis para vocês… nós não conseguimos detectar os batimentos cardíacos. Eu sinto muito em dizer-lhes que o seu bebê está morto.”. Isso porque é um momento extremamente delicado, afinal é a perda de uma vida que, por muitas vezes, é desejado, esperado, aguardado com tanto amor e carinho. Um comunicado como esse precisa ser cuidadoso e respeitado.

Após comunicar o diagnóstico, é importante esclarecer os próximos passos como a indução do trabalho de parto, realização de exames complementares adicionais, pesquisa de possíveis causas e delinear alternativas. Ressalta-se que é de suma importância, verificar se a gestante está realmente pronta, pois a escolha do método para indução é fundamental para dar o suporte e apoio adequado para a gestante. Os agentes e métodos inclui prostaglandinas (misoprostol), ocitocina, solução salina e antagonistas de progesterona.

A indução é comum na prática obstétrica e apresenta uma frequência de quase 15%. A indução do trabalho de parto com colo uterino favorável não é difícil, mas as dificuldades podem aumentam quando o colo não é favorável apresentando um escore de Bishop <5. Bishop score ou Escala de Bishop é também conhecida como escala de maturação cervical, é um sistema de pontuação usado para prever se a indução ou condução do trabalho de parto será necessária e também tem sido utilizada para avaliar a probabilidade de parto pré-termo espontâneo. Nos casos de gestante com colo desfavorável, a possibilidade de cesáreas é maior.

Figura 1. Escala de Bishop.

Para indução, segue o procedimento:

- Confirmar a morte fetal.

- Explicar o problema à gestante e à família, valorizando e respeitando sua decisão.

- Verificar a contagem de plaquetas e os fatores de coagulação.

- Avaliar as características do colo uterino.

A enfermagem precisa ficar atenta à alguns sinais que podem aparecer como:

- Ansiedade: usar uma abordagem calma e segura, permanecer com o paciente para promover segurança e reduzir o medo, ouvir atentamente o paciente, manter contato visual com o paciente, identificar pessoas significativas cuja presença possa auxiliar o paciente.

- Medo: encorajar novas habilidades, respeitar o direito da paciente de receber ou não informações, servir de ligação entre o paciente e a família, escutar os temores do paciente e de sua família.

- Angústia: auxiliar o paciente a estabelecer e revisar metas relacionadas ao objeto de sua esperança, manter estímulo positivo para mudanças de comportamento, auxiliar o paciente e a família a identificar razões de esperança na vida.

- Tristeza: encaminhar o paciente a grupos de apoio, quando apropriado, determinar se o paciente apresenta risco para si mesmo ou para outras pessoas, monitorar a capacidade do autocuidado, auxiliar o paciente e a família a identificar razões de esperança na vida.

Vale ressaltar que a enfermagem é atuante desde a admissão até a alta da paciente, assim, é importante o conhecimento, o respeito, a humanização para com essas pacientes e seus familiares.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico – 5. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. 101 - 109 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
NASCIMENTO, M. I.; CUNHA, A. de A.; OLIVEIRA, S. R. Manejo clínico na indução de parto de feto morto: avaliação da incidência e condições associadas à cesariana. Rev. Bras. Epidemiol., [S.l.], v. 4, p. 203-216, jan. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v17n1/pt_1415-790X-rbepid-17-01-00203.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.
SAMPAIO, A. G.; SOUZA, A. S. R. Indicação de cesarianas em óbito fetal. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. , [S.l.], v. 32, n. 4, p. 169-175, mar. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v32n4/v32n4a04.pdf>. Acesso em: 10 out. 2018.

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