O impacto do câncer de mama e a importância da atuação da equipe de enfermagem

Tempo de leitura: 8 minutos

Você consegue imaginar quantas mulheres são diagnosticadas por ano com câncer de mama?

  • O câncer de mama atinge 01 em cada 24 mulheres brasileiras com idade entre 40 e 59 anos;
  • Estima-se que no ano de 2016, 58 mil mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama.  Dentre elas, 14 mil provavelmente virão à óbito por complicações da doença ou devido ao diagnóstico tardio (fonte INCA-2016).

Um índice exorbitante!

Imaginemos o estádio do Mineirão no estado de Minas Gerais com quase sua capacidade máxima de pessoas e todas estas sendo do sexo feminino.

Agora, imagine que todas estas mulheres estão acometidas pelo câncer de mama.

Sim, todas!

estadio-mineirao

É muita gente!

Pois bem, agora que conseguimos dimensionar estes números e visualizar o grande volume que representa os casos de câncer no país, podemos entender o surgimento de uma campanha de conscientização para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, o Outubro Rosa.

Cada uma dessas mulheres sofre um impacto imensurável em suas vidas ao serem acometidas por essa doença. E devido ao grande número de mulheres acometidas, é considerado um grave problema para a saúde pública no Brasil.

Por que surgiu uma campanha tão forte para o câncer de mama e não para outros tipos de câncer?

Dentre os cinco tipos de câncer mais constatados nas mulheres brasileiras, o câncer de mama é o segundo mais frequente, porém é o que mais leva a mulher a óbito. Senão vejamos:

  • Câncer de pele (não melanoma) – 83.710 casos;
  • Câncer de mama – 57.120 casos;
  • Câncer de intestino – 17.530 casos;
  • Câncer de colo de útero – 15.590 casos;
  • Câncer de pulmão – 10.930 casos.

(fonte: INCA 2014)

Tendo o maior número de casos de câncer de mama constatados principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Uma nota interessante, é que embora raro, o câncer de mama pode, sim, afetar os homens também. Todavia, representam menos de 1% do total de casos.

Mas afinal, o que é o câncer de mama?

É uma disfunção celular que ocorre no tecido mamário, onde as células epiteliais crescem e se multiplicam de forma desordenada. O tumor mamário pode se apresentar no lóbulo ou no ducto mamário (o mais comum). A maioria dos vasos linfáticos da mama leva a gânglios linfáticos situados nas axilas, denominados nódulos ou gânglios axilares. Se as células cancerosas atingirem esses gânglios, a probabilidade de que a doença se espalhe para outros órgãos é maior, fator conhecido como metástase.

Quais são os sinais e sintomas do câncer de mama?

Os sinais e sintomas do câncer de mama em regra não são os mesmos para todas as mulheres, podendo aparecer apenas um dos sintomas ou apenas um achado radiográfico pelo exame de mamografia. Os sintomas mais comuns são:

  • Mudança na forma e tamanho da mama (fora do período menstrual);
  • Mudança na forma do mamilo (mamilo invertido);
  • Secreção repentina do mamilo;
  • Caroço na mama (nódulo mamário geralmente fixo e indolor – aparecem em 90% dos casos);
  • Nódulos nas axilas;
  • Região mais quente, inchada ou escura, vermelhão;
  • Enrugamento da pele (aspecto de casca de laranja);
  • Coceira ou descamação na pele ou no mamilo;
  • Dor recente e persistente em alguma região.

E qual a causa e os fatores de risco para desenvolvimento do câncer de mama?

O câncer de mama não possui uma causa única, alguns fatores predispõem ao surgimento do câncer de mama, sendo estes fatores hormonais, hereditários (genéticos) e/ou comportamentais (hábitos de vida):

  • Gênero: Ser mulher;
  • Idade: representa o acúmulo de exposições ao longo de toda a vida da mulher;
  • Histórico: familiares com câncer de mama e ovário;
  • Menarca precoce: primeira menstruação com menos de 12 anos;
  • Histórico de menopausa tardia: após os 55 anos;
  • Primeira gravidez tardia: após os 30 anos;
  • Nuliparidade: nunca ter tido filhos;
  • Não ter amamentado;
  • Uso de contraceptivos orais;
  • Alta densidade mamária: seios volumosos;
  • Uso de bebida alcoólica;
  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Alimentação inadequada: ingerir alimentos industrializados em excesso.

Como podemos ver, o câncer de mama pode surgir independente de raça ou posição social. Portanto, conhecendo os fatores de risco, a abordagem deve ser de forma preventiva, atuando diretamente nos fatores de risco que podem ser modificados, como por exemplo, o tabagismo, alimentação inadequada, entre outros.

Mas não pense que minha intenção é amedrontar as mulheres, mas sim alertá-las para seus hábitos e como eles são importantes para saúde.

Como futuro enfermeiro já viso defender uma melhor qualidade/expectativa de vida para todos.

Posto que, apesar de sermos incapazes de mudar nossas predisposições genéticas, temos a possibilidade de intervir nos fatores modificáveis.

E como a equipe de enfermagem pode contribuir?

O enfermeiro é o profissional capacitado para realizar consulta de enfermagem e nesta, identificar os fatores de risco que predispõem o desenvolvimento do câncer de mama. Juntamente com o paciente, trabalham as possibilidades para reduzir estes fatores, através do empoderamento do paciente, trazendo informações e motivações como: a necessidade de reduzir ou extinguir o consumo de álcool, deixar de fumar, adotar alimentação saudável e regrada, praticar atividades físicas, realizar autoexame da mama, incentivar quanto à importância de consulta médica e realizar exames clínicos pelo menos uma vez ao ano.

Além disso, o enfermeiro realiza avaliação das mamas possibilitando detectar precocemente possíveis alterações, incentivando também que a mulher realize o autoexame das mamas.

O papel de orientação não é exclusivo do enfermeiro, pelo contrário, toda equipe de estratégia de saúde da família necessita trabalhar conjuntamente, para conseguirem melhores resultados.

E se a mulher então fizer parte do estádio do Mineirão, mas descobrir precocemente?

O câncer de mama tem maior chance de cura quando descoberto no início, então é importante que a mulher ao identificar alterações nas mamas procure um serviço de saúde para que a avaliação seja realizada por um profissional.

Quando uma mulher conhece bem suas mamas sabe o que é normal para ela, consegue identificar precocemente qualquer alteração, por isso é indicado que toda mulher faça o autoexame das mamas uma vez por mês, e fora do período menstrual, pois a mama sofre alterações devido ações hormonais.

Lembrando que a inspeção e a palpação das mamas não substitui a avaliação médica e a necessidade de realização de mamografia.

A mamografia é o exame de imagem indicado para rastreamento de câncer de mama e deve ser realizada uma vez ao ano, a partir dos 40 anos, quando a mama não é mais tão densa e o raio-x consegue passar adequadamente pela mama e formar uma boa imagem.

A mamografia facilita a identificar a maioria dos cânceres de mama no seu estágio inicial, até mesmo antes que os sintomas apareçam. A mamografia pode identificar um nódulo com apenas 0,5 cm de espessura, quando uma mulher geralmente consegue identificar um nódulo mamário através da palpação das mamas ele normalmente já apresenta 2,5 cm.

Quais são os possíveis tratamentos?

Cada tratamento será direcionado conforme as características do tumor quando concluído o diagnóstico.

Na maioria dos casos pode-se realizar a mastectomia parcial, total ou ressecção segmentar (quadrandectomia), onde se realiza a retirada de um linfonodo axilar (sentinela) ou a retirada de todos os linfonodos. Sendo possível a necessidade complementar da quimioterapia (antes ou depois do procedimento cirúrgico), assim como da radioterapia, hormonioterapia e tratamento alvo-específico.

Importante ressaltar que o tratamento é feito por ampla equipe multidisciplinar especializada, aumentando chances de cura da paciente.

A importância de uma assistência humanizada.  

Normalmente ocorre um transtorno muito grande quando uma paciente é diagnosticada com câncer de mama, seu emocional fica abalado, sua rotina é modificada, apresenta medo e insegurança. Um atendimento humanizado é essencial para este momento, além de todo suporte da equipe multiprofissional para a diminuição da dor e ansiedade do paciente e sua família.

A humanização é um processo reflexivo que envolve a prática profissional, pois cada paciente é único e com necessidades pessoais. Humanizar a assistência de enfermagem vai além de conhecimento técnico e científico, acima de tudo é respeitar os valores do paciente, acalentar, ouvir, compreender, é ter empatia e saber que um dia poderemos estar lá.

Espero que todos tenham gostado do tema em comemoração ao Outubro Rosa, toda mulher merece o seu dia Rosa, então escolha o seu dia Rosa, pode ser nas férias, no mês do aniversário, mas não deixe de cuidar da sua saúde, saiba o que é normal para você e dedique pelo menos um dia para o seu cuidado!


Referências Bibliográficas:

AC Camargo Câncer Center. Pacientes e tudo sobre o câncer: Mama. [online]. São Paulo; [s.d.]. Disponível em: http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/mama/27/ [26 setembro de 2016];

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Tipos de Câncer: mama. [online]. Rio de Janeiro; [s.d.]. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama [26 set 2016]

 

Comentários

comentários