A Importância do Brinquedo Terapêutico no Atendimento à Criança Hospitalizada

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A hospitalização não é algo fácil para ninguém, imaginem para nossas crianças que por muitas vezes não sabem exatamente o que está acontecendo ou o que irá acontecer. Essa situação traz, não só para a criança como para a família, uma mudança de rotina. A hospitalização pode causar estresse, pois a criança sai do conforto do seu lar, é afastada do convívio contínuo de familiares e dos colegas de escola, passando a conviver com pessoas, que, a princípio, são estranhas, perdendo parte da sua privacidade e sendo submetidas a alguns procedimentos dolorosos e invasivos.

O brincar faz parte da vida de toda criança e, durante a hospitalização, é importante preservar esse direito. O recurso lúdico representa, além de incentivo à diversão e entretenimento, uma opção educacional desenvolvendo o lado emocional, social, intelectual e terapêutico, diminuindo assim o estresse, medo e ansiedade que durante a brincadeira a criança e o adulto interagem. É observado que a pessoa que brinca com a criança torna-se a mesma a quem a criança irá recorrer em momentos de medo, pedido de ajuda e carinho, criando um vínculo de confiança durante a hospitalização.

Os jogos, a dança, as brincadeiras e o teatro podem ser expressas por meio de atividades lúdicas e isso envolve a emoção, alegria e prazer. O lúdico faz parte da necessidade humana, facilita as relações interpessoais, fazendo com que as experiências dolorosas e algumas não compreensões sejam vistas com mais tranquilidade.

Florence Nightingale já mencionava a importância de o enfermeiro aplicar o brinquedo na assistência de enfermagem às crianças. Na época, os brinquedos eram usados com histórias cantadas e jogos com anatomia, e promoviam períodos de recreação. No Brasil, o uso do Brinquedo Terapêutico (BT) iniciou no final da década de 1970 pela a Prof.ª Dr.ª Esther Moraes, docente de Enfermagem Pediátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, pois foi observado que o sofrimento causado pela separação dos pais eram amenizados com o uso do BT.

O BT apresenta três tipos:

– Brinquedo dramático – que permite a descarga emocional.

– Brinquedo instrucional – que ajuda a criança na compreensão do tratamento e no esclarecimento de conceitos errôneos.

– Brinquedo capacitador de funções fisiológicas – busca desenvolvimento de atividades em que as crianças possam, de acordo com suas necessidades, melhorar ou manter suas condições físicas.

O BT apresenta quatro funções:

– Primeira – permitir que a criança libere a raiva por meio da expressão.

– Segunda – consiste em reproduzir experiências dolorosas e compreendê-las.

– Terceira – estabelece um elo entre o lar e o hospital.

– Quarta – se retrai para readquirir o controle.

O hospital é visto por muitas vezes como local de proibições. Este é um dos motivos da importância de deixarem a criança brincar, tomar sol, correr e conhecer o ambiente hospitalar, além de poderem dar continuidade aos estudos e brincarem com crianças da mesma faixa etária.

O artigo 12 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) resguarda o direito do acompanhamento integral e ininterrupto por familiar ou responsável legal, durante todo o período de hospitalização à criança, e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em sua Resolução nº 41/1995, estabelece que toda criança hospitalizada tem o direito de receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para sua possível cura.

O enfermeiro tem uma função essencial nesse contexto, visto que precisa avaliar a maneira mais adequada de se aproximar da criança, desenvolvendo empatia entre eles, o que lhe possibilita ver e compreender o mundo com os olhos da criança, estabelecendo vínculo de amizade e amor entre enfermeiro, criança e família.

É importante que o BT seja usado sempre que a criança apresentar dificuldade ou resistência em compreender ou lidar com alguma situação difícil ou se preparar para procedimentos dolorosos e/ou invasivos. É essencial que a criança perceba que o adulto está disposto a participar da brincadeira e a encorajar a expressar seus sentimentos. O BT é um instrumento que contribui com as fantasias que fazem parte do imaginário das crianças, podendo ser usado no preparo para procedimentos, sejam invasivos como punção venosa até procedimentos como cirurgias. Além disso, o enfermeiro tem a possibilidade de entender o comportamento das crianças.

A equipe de enfermagem precisa atentar-se ao cuidado específico de cada criança, demonstrando afeição, carinho, apoio e procurando deixá-la à vontade e confortável. Esse cuidado precisa estar vinculado entre o cuidado físico e emocional, levando em consideração o comportamento, os traumas vividos por ela, assim diminuirá a resistência ao tratamento, passando a ser mais cooperativa e fazendo do brinquedo uma ação terapêutica.

É fundamental o compromisso da enfermagem ao estímulo ao BT, pois assim ajudará não apenas as crianças, mas também a própria equipe no sentido de acolhimento e aproximação entre eles. A humanização é algo essencial e primordial no acolhimento e respeito às nossas crianças.

REFERÊNCIAS

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