Exames de detecção do câncer de mama: do autoexame à mamografia

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A campanha outubro rosa acontece anualmente com o intuito de estimular a participação da população no controle do câncer de mama, compartilhando informações, promovendo a conscientização sobre a doença, proporcionando maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuindo para a redução da mortalidade.

Cabe a nós, profissionais da enfermagem, realizarmos as orientações quanto a importância e incentivar a realização dos exames, fazer educação em saúde, estimulando assim a promoção do  autocuidado. Pensando na importância da educação em saúde preparei esse artigo abordando algumas dúvidas comuns.

Você sabia que existe uma lei que estabelece como um direto e nos garante a acessibilidade a exames ginecológicos pelo SUS?

A lei nº 11664/08 assegura que:

Art. 1o As ações de saúde previstas no inciso II do capítulo do art. 7o da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, relativas à prevenção, detecção, tratamento e controle dos cânceres do colo uterino e de mama são asseguradas, em todo o território nacional, nos termos desta Lei.

Art. 2o O Sistema Único de Saúde – SUS, por meio dos seus serviços, próprios, conveniados ou contratados, deve assegurar:
I – a assistência integral à saúde da mulher, incluindo amplo trabalho informativo e educativo sobre a prevenção, a detecção, o tratamento e controle, ou seguimento pós-tratamento, das doenças a que se refere o art. 1o desta Lei;
II – a realização de exame citopatológico do colo uterino a todas as mulheres que já tenham iniciado sua vida sexual, independentemente da idade;
III – a realização de exame mamográfico a todas as mulheres a partir dos 40 (quarenta) anos de idade;
IV – o encaminhamento a serviços de maior complexidade das mulheres cujos exames citopatológicos ou mamográficos ou cuja observação clínica indicarem a necessidade de complementação diagnóstica, tratamento e seguimento pós-tratamento que não puderem ser realizados na unidade que prestou o atendimento;

Muitas mulheres não tem o hábito de ir ao ginecologista anualmente, como é indicado. Mas devemos enfatizar a que os exames de rotina solicitados por ginecologistas são importantíssimos no cuidado da nossa saúde. Servem para nos dizer se estamos bem ou se precisamos ficar atentos!!!

Quais são os exames mais comuns e quais as indicações??

Os exames são: Mamografia, ultrassonografia da mama, ultrassonografia pélvica ou transvaginal e colpocitologia oncótica, não necessariamente serão solicitados todos os exames.
Para realizar os exames, o médico irá indicar de acordo com os sinais e sintomas da mulher e fatores de risco do câncer de mama ou colo de útero, como: histórico familiar da doença, idade, se já iniciou as atividades sexuais, alterações no ultrassom de mama, ou no Papanicolaou, entre outros fatores.

O câncer de mama acomete frequentemente mulheres a partir dos 55 anos de idade, porém também pode acometer mulheres jovens e homens (embora mais raro), pois ambos possuem tecido mamário, local onde se origina a neoplasia.

Mamografia e Ultrassonografia da mama

A mamografia é obrigatória e deve fazer parte dos exames de rotina da mulher a partir dos 40 anos, e isso depende dos protocolos da instituição.  Algumas instituições solicitam aos 35 anos ou a partir dos 40/45 anos. Nessa faixa-etária o tecido mamário é melhor observado através da mamografia, devido menor densidade das mamas.

Já o ultrassom é pedido quando o médico tem alguma suspeita e precisa realizar investigações, ou seja não é um exame obrigatório, mas pode ser solicitado para auxiliar na investigação diagnóstica. A ultrassonografia da mama é um exame que analisa o tecido mamário e obtém informações sobre lesões e nódulos de maneira a complementar a mamografia, quando necessário.

Como é realizada a mamografia, dói??

Após a mama ser comprimida entre duas placas, o raio X é utilizado para formar a imagem da mama, e é utilizado para rastreamento do câncer de mama, o risco a exposição à radiação é mínima quando comparado aos benefícios do exame.

Pode provocar dor em algumas pacientes, dependendo da sensibilidade individual, mas é tolerável e o desconforto proporcionado pelo exame é breve.

No meu exame está escrito BI Rads, o que significa?

A padronização do resultado se da pelo BI-RADS (Breast Image Reporting and Data System) criado nos Estados Unidos, que facilita a interpretação da mamografia, para separar as lesões consideradas suspeitas, benignas e malignas.

Confira a Classificação de BI-RADS:

Avaliação incompleta:
Categoria zero
É utilizado quando são necessários exames adicionais ou antigos para comparação. A categoria BI-RADS zero é utilizada em mamografias de rastreamento quando imagens adicionais são necessárias ou quando é necessária a comparação a exames prévios.

Avaliação completa

Categoria 1
Não são necessários exames adicionais. As mamas são simétricas, sem massas ou calcificações suspeitas.

Categoria 2
Apresenta achados benignos, como calcificação, cistos oleosos, lipomas, em relação ao risco é idêntica a categoria BI-RADS 1.

Categoria 3
Achados que podem ser benignos ou malignos, apresenta massas, assimetria das mamas, calcificações, é critério do médico repetir a mamografia e acompanhamento no período de 6 meses.

Categoria 4
A categoria BI-RADS 4, lesão suspeita, inclui lesões na mama que necessitam de avaliação minuciosa, devido às lesões presentes nessa categoria, foram desenvolvidas subcategorias adicionais 4A, 4b e 4c nessa categoria incluem-se lesões que necessitam de intervenção mas cujo grau de suspeição é baixo.

Categoria 5
Lesões cujo resultado anátomo-patológico, salvo exceções, é o de carcinoma de mama. Nessa categoria, mais do que 95% das lesões representam câncer de mama, e os achados radiológicos são os característicos das descrição clássica do câncer de mama. Massas, irregulares, de alta densidade.

Categoria 6
Achados mamográficos, que já realizaram biópsia cujo diagnóstico anatomo patológico é câncer de mama.

A realização do autoexame das mamas substitui a necessidade de exames como USG ou Mamografia?

Não! O autoexame é uma estratégia imprescindível para o autoconhecimento da mulher. Para que ela conheça seu próprio corpo e seja capaz de identificar precocemente possíveis alterações.
Mas, o autoexame não exclui a necessidade de realizar os exames indicados pelo seu médico, pois exames como USG e Mamografia podem identificar alterações antes mesmo que essas sejam possíveis de se identificar no autoexame.
É indicado que seja realizado uma vez por mês. São preciosos minutos que tiramos para cuidar de nós e da nossa saúde. Devemos fazer:
No espelho: observe mudanças: saliências, enrugamento, vermelhidão, dureza nas mamas;
No banho: com um dos braços erguidos por trás da cabeça palpe a mama com a outra mão pressionando os seios e mamilos, verifique se expelem algum liquido ou coloração anormal;
Deitada: posicione uma das mãos sob a cabeça e palpe o seio de fora pra dentro em formato de espiral, atente-se ao tecido, protuberâncias ou nódulos.

A intenção desse artigo é esclarecer as dúvidas mais frequentes e enfatizar a importância de realizar os exames envolvidos no rastreamento precoce do câncer de mama. Espero que gostem!

“Cuide-se, declare seu amor por você mesma”

Referências bibliográficas:

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria da Atenção à Saúde. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama [online] Brasília (DF), 2013: Ministério da Saúde. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/controle_canceres_colo_utero_2013.pdf
  • BRASIL. Lei 11664/08 | Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008. Dispõe sobre a efetivação de ações de saúde que assegurem a prevenção, a detecção, o tratamento e o seguimento dos cânceres do colo uterino e de mama, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Diário Oficial da União – Seção 1 – 30/4/2008, Página 1 (Publicação Original)

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