Exame físico geral

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O exame físico permite ao Enfermeiro conhecer o paciente diariamente, possibilitando a identificação de informações básicas sobre as respostas humanas e capacidades funcionais do paciente frente à situação apresentada. Esses dados subsidiam a identificação dos diagnósticos e intervenções de enfermagem. Além disso, o exame físico permite avaliar a evolução do paciente e a individualização da assistência de enfermagem.

Vale ressaltar que, para realizar o exame físico é necessário conhecimento prévio de anatomia, fisiologia, fisiopatologia, passos propedêuticos, bom relacionamento interpessoal entre enfermeiro-paciente e outras ciências.

Características essenciais do examinador:

  • Autoconfiança, paciência, consideração e delicadeza, explicando todos os procedimentos;
  • Conhecimento e competência para interpretar o achado no exame físico;
  • Preocupação com a privacidade do paciente.

Exame Físico Geral

O exame físico geral é a primeira etapa do exame clínico e além de complementar a anamnese (entrevista), fornece uma visão global do paciente, não segmentada. O exame físico geral precede o exame físico direcionado na evolução de enfermagem.

No exame físico geral são avaliados os seguintes itens:

  1. Estado geral
  2. Estado mental e nível de consciência
  3. Pele, mucosas e anexos
  4. Avaliação do sono e repouso
  5. Avaliação do estado nutricional
  6. Avaliação da condição de mobilidade
  7. Avaliação das variações dos parâmetros vitais

A seguir, confira detalhadamente cada item do exame físico geral:

1) Estado Geral

É uma avaliação subjetiva do que aparenta o paciente em sua totalidade: resposta do indivíduo à doença, verificando-se a existência de perda de força muscular, perda de peso e estado psíquico do paciente. A classificação pode ser: Bom Estado Geral (BEG), Regular Estado Geral (REG) ou Mau Estado Geral (MEG).

2) Estado Mental e Nível de Consciência

É a avaliação que busca fornecimento de dados acerca do estado cognitivo do paciente, de modo que seja identificado qualquer alteração. Como essas alterações podem estar associadas a distúrbios do SNC, utiliza-se uma variedade de questionamentos, com o intuito de identificar uma área específica de disfunção.

– Consciência: O paciente está acordado e alerta? Parece compreender e responder ao que se pergunta? Geralmente, para termos dados mais objetivos e padronizados, utilizamos a avaliação do nível de consciência por meio da Escala de Coma de Glasgow (ECGl), mas descreveremos mais à frente, no exame físico neurológico.

– Orientação: É preciso avaliar a orientação no tempo e no espaço.

– Perguntas para avaliação da orientação no tempo: “Que dia é hoje?”, “Que dia da semana estamos”, “Qual a sua data de nascimento?”. Lembrando que a depender do tempo que o paciente está no hospital é comum não saber que dia é hoje ou que dia da semana estamos, mas geralmente, as informações que não mudam, como data de nascimento, é mais relevante de se perguntar.

– Perguntas para avaliação da orientação no espaço: “Onde você está?”, “Qual o nome do hospital que você se encontra?”, entre outros.

– Memória: Qual é a sua idade, data de nascimento, nome dos filhos, cônjuge, entre outros. Lembrando que muitas vezes, ao avaliar a orientação, já é possível avaliar a memória.

– Linguagem: Avaliar a qualidade, o volume e a velocidade da fala. Lembrando que em caso de alterações é preciso registrar com as devidas terminologias científicas.

3) Avaliação da pele, mucosas e anexos

É necessário avaliar a coloração, hidratação (turgor), temperatura, textura, presença de lesões e edemas.

– Avaliação da coloração: observar mucosa palpebral da conjuntiva, mucosa oral, leito ungueal e palma das mãos. O paciente pode estar corado (mais avermelhado) ou descorado. Caso se encontre descorado, classifique em cruzes, de uma a quatro cruzes, sendo uma cruz pouco descorado (1+/4+) e quatro muito descorado (4+/4+);

– Avaliação do grau de hidratação: observar umidade da mucosa oral, globo ocular e turgor da pele. Para avaliar o turgor da pele, realiza-se uma prega cutânea com o polegar e indicador, verificando a facilidade com que é realizada e a velocidade de seu retorno. Em situação normal, a prega se desfaz rapidamente indicando que a pele está hidratada, quando a prega se desfaz lentamente, indica que a pele está desidratada. O turgor pode ser descrito como normal ou diminuído.

Em relação a hidratação, o paciente pode estar hidratado ou desidratado. Caso se encontre desidratado, classificar o grau (em cruzes), seguindo o mesmo raciocínio exemplificado na coloração;

– Avaliação da presença de icterícia:  observar coloração amarelada na palma da mão, esclera e freio da língua. A icterícia é caracterizada pela coloração amarelada nessas regiões e pode estar associada à presença de distúrbios hepáticos ou hemólise de hemácias. O paciente pode estar ictérico ou anictérico. Caso se encontre ictérico, classificar o grau (em cruzes)

Atenção:

– O excesso de betacaroteno pode se assemelhar à icterícia. Sempre avalie às mucosas e não a coloração da pele;

– Idosos e negros podem ter a esclera com tom amarronzado devido à hiperpigmentação normal desses pacientes. Nesses casos, avalie a parte da esclera que não fica exposta à luz (abaixo da pálpebra) para confirmar a coloração.

– Avaliação da presença de cianose: observar coloração azulada no lábio, leito ungueal, língua e outras extremidades, que é indicativa de redução da oxigenação do sangue ou de redução da perfusão sanguínea, periférica ou central. O paciente pode estar cianótico ou acianótico.

Atenção:

– O paciente pode estar com coloração mais azulada por hipoperfusão sanguínea em razão do frio (cianose periférica causada pela vasoconstrição periférica, induzida pelo frio). Neste caso, tente esquentar o paciente e observar se melhora.

– Temperatura: avaliar a temperatura da pele com a região dorsal da mão; ela pode ser a mesma em todo o corpo ou pode variar em uma região específica. A temperatura pode estar preservada, aumentada ou diminuída. Em membros simétricos como braços e pernas, é preciso realizar avaliação comparativa. A temperatura nos dá parâmetro sobre a circulação local.

– Textura:  avaliar a textura da pele com a região anterior dos quirodáctilos (dedos). Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a textura pode ser fina (comum em pele normal), mais espessa (comum em pele oleosa) ou seca (comum em pele mista).

– Avaliação de Edema: pressionar com o polegar a região pré-tibial e maleolar os membros inferiores por, pelo menos, cinco segundos. Caso apresente uma depressão, que se caracteriza pela formação de cacifo (sinal de Godet), descreve-se como sinal de godet positivo. Apesar de não existir consenso e de ser uma avaliação subjetiva, a graduação do edema costuma ser feita em “cruzes”, sendo 1+ (2mm), 2+ (4mm), 3+ (6mm) e 4+ (8mm), conforme a profundidade do cacifo (depressão). Esta classificação auxilia nas reavaliações do paciente durante as visitas.  

Lesões: em caso de presença de lesões, avaliar e descrever as características: tipo, tamanho, formato, tecido, bordas, presença de exsudato (quantidade, coloração, odor), presença de dor, tratamento implementado, entre outros.

4) Avaliação do Sono e Repouso:

Avaliar a evolução do padrão de sono do paciente

5) Avaliação do Estado Nutricional

Nesse caso é necessário pesar e medir o paciente para realizar o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC) e descrever na evolução o significado de acordo com a tabela abaixo.

Classificação do Estado Nutricional para adultos e idosos

ADULTOS IMC (Kg/m²)
Baixo peso < 18,5
Normal 18,5 – 24,9
Sobrepeso 25,0 – 29,9
Obesidade I 30,0 – 34,9
Obesidade II 35,0 – 39,9
Obesidade extrema > 39,9

Fonte: BARROS, ALBL: Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Artmed, 2016. p. 310

IDOSOS IMC (Kg/m²)
Baixo peso < 22
Normal 22 – 27
Sobrepeso > 27
Obesidade Homem > 30

Mulher > 32

Fonte: BARROS, ALBL: Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Artmed, 2016. p. 310

6) Avaliação das Condições de Mobilidade

No exame físico geral, a avaliação e o registro é pontual, por exemplo, acamado, deambula com auxílio de bengala ou de muletas, entre outros. A avaliação mais aprofundada é feito no momento da avaliação de cada sistema ou segmento corporal, que será abordado em outros artigos. 

7) Avaliação das Variações dos Parâmetros Vitais:

Nesse caso faz-se necessário recorrer ao prontuário do paciente para a  identificação das variações dos sinais vitais nas últimas 24 horas. Podemos utilizar o símbolo matemático delta “Δ” antes dos sinais vitais, que significa variação. Por exemplo:

  • ΔPAS (variação da Pressão Arterial Sistólica) = ____-____mmHg;
  • ΔPAD (variação da Pressão Arterial Diastólica) = ____-____mmHg;
  • ΔFC (variação da Frequência Cardíaca) = ____-_____ bpm;
  • ΔT (variação da Temperatura) = ____-____ ºC;
  • ΔFR (variação da Frequência Respiratória) = _____-_____ rpm;
  • ΔDor (variação da Dor) = ____-____ (ENV 0-10).

Referências Bibliográficas:

  • BARROS, ALBL: Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Artmed, 2016.
  • JARVIS, C. Guia de Exame Físico para Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016;
  • Giaretta VMA, Silva AM, Renó ACM, Aguiar DAF, Arantes CMS, Posso MBS. Proposta de escala para avaliar o turgor da pele de idosos. Rev. Ciên. Saúde. 2016; (1): 01-07;
  • Universidade Aberta do SUS – UNA-SUS. Universidade Federal do Maranhão. Avaliação e Manejo Domiciliar do Edema em Membros Inferiores – Módulo 19. São Luís – MA; 2013.

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