Exame de Angiografia Renal e a Atuação da Enfermagem

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Angiografia renal é um exame frequentemente solicitado para avaliar possíveis ocorrências de hematoma intrarrenal, traumatismo renal, rins despedaçados, laceração do parênquima e áreas de infarto. Adicionalmente, pode ser solicitado para diferenciar pseudotumores de tumores ou cistos, analisar o volume do tecido renal residual funcionante na hidronefrose e avaliar doadores e receptores antes e depois de transplante renal. Há a injeção arterial de um meio de contraste e possibilita o exame radiográfico da vascularização e do parênquima renais. A enfermagem necessita informar ao médico os resultados anormais, orientar o paciente sobre o diagnóstico e, caso necessário, preparar o paciente para outros exames.

É importante considerar que pode haver possíveis interferências na realização do exame, como:

– Movimentação do paciente.

– Recentes exames contrastados como enema de bário “clister opaco” ou seriografia esôfago-estômago-duodeno (“possibilidade de imagem precária”).

– Possível presença de gases ou fezes trato gastrointestinal, possibilitando imagem precária.

É considerado como normais, árvore vascular e arquitetura do parênquima renal normais. Já nos anormais são considerados:

– Hipervascularidade, indicação de tumores.

– Massas radiotransparentes bem delineadas, indicação de cistos.

– Arteriosclerose com constrição perceptível dos vasos sanguíneos, comumente na porção proximal de sua extensão, indicação de estenose.

– Displasia arterial, porções média e distal do vaso.

– Interrupção ou ausência de vasos sanguíneos com tecido cicatricial e áreas triangulares próximo à periferia do rim afetado, indicação de infarto.

– Aumento dos vasos capsulares com circulação intrarrenal anormal, indicação de abscessos ou massas inflamatórias.

– Aneurismas e regiões estenóticas alternadas, com aparência de contas em um cordão.

– Aneurismas fusiformes ou saculares e fístula arteriovenosa renal (alargamento anormal e passagem direta entre a artéria e a veia renais).

– Destruição do tecido renal, distorção e vascularização sinuosa, fibrose, indicação de pielonefrite grave ou crônica.

A finalidade desse exame tem por objetivo:

– Indicar a causa da hipertensão renovascular, como estenose, oclusão trombótica, aneurismas e embolia.

– Analisar a insuficiência renal ou a doença renal crônica.

– Explicar a configuração da vasculatura renal total antes de procedimentos cirúrgicos.

– Avaliar traumatismo renal e massas renais.

– Diferenciar cistos avasculares de tumores extremamente vasculares.

– Verificar complicações após transplante de rim, como derivação não funcionante ou rejeição do órgão do doador.

Descrição do Procedimento

– Colocar o paciente em decúbito dorsal e iniciar a infusão IV periférica, limpando a pele no local de punção arterial com solução antisséptica e injeta-se um anestésico local.

– A artéria femoral é puncionada e, sob visualização fluoroscópica, é canulada (Se não houver pulso femoral, ou se a artéria estiver contorcida ou apresentar placa, pode-se realizar um cateterismo transaxilar, transbraquial ou translombar percutâneo).

– Introduzir o fio-guia flexível na artéria, a cânula é retirada, deixando vários centímetros de fio-guia no lúmen vascular.

– É passado um cateter de polietileno sobre o fio-guia e avançado, com a orientação fluoroscópica, pelas artérias femoral e ilíaca até a aorta. O fio-guia é removido e o cateter é irrigado com solução de heparina.

– O meio de contraste é injetado e são obtidos aortogramas para rastreamento antes de avançar. Uma vez concluída a aortografia, o cateter vascular é substituído por um cateter renal.

– Para determinar a posição das artérias renais e confirmar se a ponta do cateter está no lúmen vascular, injeta-se no mesmo momento uma dose-teste 3 a 5 ml de meio de contraste. O paciente não apresentando qualquer reação adversa ao meio de contraste, são injetados 20 a 25 ml da substância logo abaixo da origem das artérias renais.

– São obtidas radiografias seriadas em rápida sequência do enchimento da árvore vascular renal. Caso sejam necessários outros estudos seletivos, o cateter é mantido no local, enquanto as radiografias são examinadas. Se forem satisfatórias, o cateter é removido.

– Aplicar uma compressa estéril firmemente no local da punção durante 15 minutos.

Ressalta-se que a arteriografia renal é contraindicada durante a gravidez e em pacientes com tendências hemorrágicas, alergia a meios de contraste ou com insuficiência renal causada por doença renal terminal. Importante verificar se o paciente diabético faz uso de Glucophage® (metformina), sendo que é necessário a interrupção desse medicamento por vários dias, devido ao risco de insuficiência renal e acidose láctica.

Cuidados Antes do Exame

– Esclarecer ao paciente que esse exame facilita a visualização dos rins, unidades funcionais e vasos sanguíneos e ajuda no diagnóstico de doença ou massas renais.

– Orientar o paciente na questão de jejum durante 8 horas antes do exame e ingestão de líquido adicional na véspera do exame e no dia seguinte para assim, manter uma hidratação adequada.

– Esclarecer ao paciente que a medicação oral pode ser continuada.

– Em casos de pacientes diabéticos, é importante prescrição especial.

– Comunicar ao paciente que poderá receber um laxativo ou enema no período da noite, na véspera do exame e explicar que poderá sentir um desconforto transitório como: náuseas, rubor e sensação de queimação durante a injeção do meio de contraste no início do exame.

– Certificar-se de que o paciente ou um membro responsável da família assinou o formulário de consentimento informado.

– Importante ressaltar sobre a verificação do histórico do paciente, casos de hipersensibilidade a iodo, mariscos, alimentos contendo iodo, meios de contraste. Assinalar as sensibilidades no prontuário e notificar o médico, pois o paciente pode necessitar de antialergênicos profiláticos (difenidramina ou corticosteroides).

– Rapidamente antes do exame, administrar as medicações prescritas comumente, um analgésico opioide e um sedativo.

– Aferir e registrar os sinais vitais basais do paciente.

– Confirmar os resultados dos exames laboratoriais recentes (níveis de ureia e creatinina sérica e coagulograma) estão documentados no prontuário do paciente.

– É de importância vital, a verificação da função renal adequada e da coagulação normal.

– Avaliar também os pulsos periféricos e marcá-los para acesso fácil na avaliação após o procedimento.

– Orientar o paciente a colocar um capote, remover todos os objetos metálicos capazes de interferir nos resultados do exame e urinar antes de deixar a unidade.

Após o Exame

– Observar o local de punção quanto à formação de hematoma, antes do retorno do paciente para o quarto ou para a enfermaria.

– Manter o paciente deitado na cama e orientá-lo a manter a perna puncionada estendida durante pelo menos 6 horas ou conforme orientação.

– Verificar os sinais vitais a cada 15 minutos durante 1 hora, a cada 30 minutos durante 2 horas e em seguida, a cada hora até estar estabilizado.

– Monitorar os pulsos arteriais poplíteo e pedioso dorsal quanto à perfusão adequada com os sinais vitais e em seguida, pelo menos a cada hora, durante 4 horas.

– Verificar a coloração e a temperatura do membro envolvido e compará-los com as do outro membro. Observar sinais de parestesia ou dor no membro envolvido.

– Observar o local da injeção se há sangramento ou hematomas. Manter o curativo de pressão no local e verificar a ocorrência de sangramento ao aferir os sinais vitais do paciente. Em caso de sangramento, notificar imediatamente a sua ocorrência ao médico e aplicar pressão direta.

– Aplicar compressas frias no local da punção para aliviar a dor e reduzir o edema.

– Monitorar o paciente à procura de arritmias atriais e determinar a atividade da aspartato aminotransferase e desidrogenase láctica se for observada a ocorrência de estenose renal.

 

REFERÊNCIAS

FISCHBACH, F. T. Exames laboratoriais e diagnósticos em enfermagem. 9. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
SMELTZER SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: Exames Complementares. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

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