Enfermeiro, você é um diagnosticador!

Tempo de leitura: 4 minutos

“O médico cura a úlcera do Sr. João. A enfermagem cuida do Sr. João com a úlcera.”

Certa vez ouvi essa frase (infelizmente não encontro a autoria) e foi impactante na minha caminhada acadêmica. Enfermagem é cuidar, é ciência, não é de qualquer forma. É colocar-se no lugar do outro. É integralidade, pois “não se pode cuidar de partes“.

Cuidar abrange conhecimento, habilidade e raciocínio crítico.  Seja qual for seu local de trabalho, na Estratégia de Saúde da Família ou no Centro Cirúrgico, na Hemodinâmica ou Emergência, você é responsável por identificar problemas e buscar soluções que melhor atendam, junto à sua equipe, paciente e família.

O diagnóstico de enfermagem é a segunda etapa do Processo de Enfermagem (PE) e é o resultado da análise crítica/reflexiva dos dados coletados na primeira etapa, Histórico de Enfermagem (ou Coleta de dados de Enfermagem), identificando sinais e sintomas passíveis de intervenção.

O diagnóstico de enfermagem norteia a prática da enfermagem, permitindo planejar a assistência juntamente com a equipe multiprofissional, paciente e família.

No Brasil, há três taxonomias mais utilizadas de classificação de diagnósticos: NANDA –  Diagnósticos de enfermagem da NANDA,  CIPE –   Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem e CIPESC Classificação das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva. Falaremos de cada uma em um próximo artigo.

Diagnóstico médico x Diagnóstico de Enfermagem

Diagnóstico de enfermagem não é o mesmo que o diagnóstico médico. O diagnóstico médico é a identificação de uma doença, baseado no conjunto de sinais e sintomas característicos, histórico e exames complementares.

diagnóstico de enfermagem não está relacionado à doença, mas uma análise do impacto que as alterações de saúde, potenciais ou reais têm sobre o indivíduo, família e comunidade.

De acordo com a resolução COFEN 358/2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, o diagnóstico de enfermagem é definido como:

“processo de interpretação e agrupamento dos dados coletados na primeira etapa, que culmina com a tomada de decisão sobre os conceitos diagnósticos de enfermagem que representam, com mais exatidão, as respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença; e que constituem a base para a seleção das ações ou intervenções com as quais se objetiva alcançar os resultados esperados.”

A NANDA define o diagnóstico de enfermagem como “interpretação científicas dos dados levantados, usados para orientar o planejamento de enfermagem, a implementação e a avaliação“.

Para um bom diagnóstico, é preciso uma boa investigação!

O Histórico de Enfermagem, primeira etapa do PE, consiste em coleta de dados (anamnese) e exame físico e é essencial para todo o processo, sobretudo para o diagnóstico. É nesse momento que o profissional terá contato direto com o paciente e família.

Por meio de uma anamnese abrangente, o entrevistador conseguirá analisar criticamente o relato do entrevistado e “decodificar”, extraindo o verdadeiro significado das palavras. Embora o objetivo do PE não seja unicamente a documentação da prática de enfermagem, tudo deverá ser registrado, garantindo maior visibilidade e valorização de seu trabalho.

O diagnóstico de enfermagem e as demais etapas do PE trazem ao enfermeiro autonomia profissional e qualidade na assistência prestada, proporcionando uma visão completa do paciente em toda as suas particularidades.

“Ainda que não se possa curar, sempre é possível cuidar.”

 

REFERÊNCIAS

  • Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2015-2017. NANDA internacional. Porto Alegre: Artmed, 2015.
  • GARCIA, T. R; EGRY, E. Y. Integralidade da atenção no SUS e sistematização da assistência de Enfermagem. Porto Alegre: Artmed, 2009.
  • BARROS, A. L. B. L. et al. Processo de enfermagem: guia para a prática. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo; São Paulo: COREN-SP. 2015.113p.
  • POTTER, P; PERRY, A. G; Fundamentos de enfermagem – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.1568p.

Comentários

comentários