A Enfermagem na Atenção com o Autismo

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Autismo ou Transtorno de Espectro Autista (TEA) é um transtorno que geralmente acomete crianças antes dos três anos de idade e tem como característica o comprometimento de todo desenvolvimento neuropsicomotor, o qual pode se manifestar em severa implicação da comunicação social, afetando as áreas de cognição, linguagem, desenvolvimento motor e social. Autismo é uma palavra de origem grega (autós) que significa “por si mesmo”.

O primeiro quadro clínico definido como autismo ocorreu em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, o qual realizou uma observação cuidadosa de um grupo de crianças com idades entre dois e oito anos, cujo quadro clínico foi denominado de “distúrbio autístico de contato afetivo”. Porém, o termo “autismo” já havia sido introduzido na psiquiatria em 1906 pelo psiquiatra Plouller que tinha como objetivo o estudo pessoas com demência precoce e, em 1911, o psiquiatra suíço Eugene Bleuler definiu o termo como perda de contato com a realidade em razão da comunicação interpessoal prejudicada.

Estima-se que, mundialmente, um a cada 88 nascidos vivos apresenta autismo e que o sexo masculino de quatro a seis meninos para cada uma menina e isso independe de raça, etnia ou classe social. No Brasil, os primeiros atendimentos às pessoas com autismo ocorreram em 1954 na iniciativa privada. Em 2010, estimava-se 500 mil pessoas autistas no país. Em 1980, na cidade de São Paulo, criou-se a primeira associação de Pais Amigos do Autista e em 1989 aconteceu o I Congresso Brasileiro de Autismo em Brasília, com a presença de 1300 pessoas.

Apesar de desconhecida, acredita-se que a etiologia seja multifatorial, associada a fatores genéticos e neurobiológicos ou fisiológicos do sistema nervoso central.

Em 2013, o Ministério da Saúde publicou a Diretriz de Atenção à Reabilitação da Pessoa com TEA, no intuito de orientar profissionais de saúde e familiares no auxílio ao diagnóstico precoce em crianças de até três anos.

O dia 02 de Abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (Figura 1).

Figura 1. Fonte: http://img1.recadosonline.com/ro/dia-do-autismo/dia-do-autismo_001.jpg

Identificando os Sinais de Autismo (Figura 2).

Figura 2. Alguns Sinais de Autismo. Fonte: http://promovefisio.com.br/autismo-sintomas/

  • A principal característica é o isolamento, onde apresenta dificuldade de se relacionar com outras crianças.
  • Insensibilidade à dor.
  • Evitam contato visual.
  • Dificuldade para entender o que é dito.
  • Repetição de palavras.
  • Gesticulam muito e falam pouco.

O cuidado na identificação:

O autismo pode ser confundido com outras patologias como:

  • Transtorno de linguagem: caracterizado por déficits de compreensão, dificuldade de falar, déficit motor e atraso mental.
  • Retardo mental: capacidade intelectual inferior a das crianças no geral, tem dificuldades ou incapacidade de comunicar-se normalmente, dificuldade de relacionamento interpessoal, autoinsuficiente e habilidades limitadas de aprendizado.
  • Síndrome de Asperger: é um transtorno do aspecto autista (diferente do autismo), ele tem a fala compreensível, dificuldade de interação social, dificuldade de processar emoções, dificuldade nas mudanças de rotina e no contato visual.
  • Síndrome de Rett: transtorno mental característico pela perda de habilidades, diminuição da interação social e isolamento.

Tratamento medicamentoso e não medicamentoso

  • Terapia Medicamentosa: medicações como neurolépticos (haloperidol, clorpromazina e tioridazina) para melhorar a agitação psicomotora.
  • Terapia Comportamental: ajudar a lidar com suas dificuldades, tentar sair do isolamento, ajuda no comportamento verbal/oral entre outros.
  • Terapia Familiar: ajuda na estrutura familiar e na socialização.
  • Equoterapia: ajuda a criança na coordenação motora.

Inclusão:

Em 1990 foi realizada na Tailândia, a Conferência Mundial sobre Educação para todos, onde foi aprovada a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Em 1994 surgiu a Declaração de Salamanca que foi promovida pelo governo da Espanha e a Unesco, caracterizada na Conferência Mundial sobre as Necessidades Especiais, na qual reconheceram a obrigatoriedade do ensino chegar a todas as crianças, jovens e adultos com necessidades especiais. A declaração proclama que:

- Todas as crianças têm direito à educação e deve-se dar a elas a oportunidade de alcançar e manter um nível aceitável de conhecimentos;

- Cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias;

- Os sistemas de ensino devem ser organizados e os programas aplicados de modo que tenham em conta todas as diferentes características e necessidades;

 - As pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas comuns;

- As escolas comuns devem representar um meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade integradora e alcançar a educação para todos.

Assim se faz o direito de toda criança, jovem e adulto a conseguir o seu espaço, mas é necessária a qualificação de profissionais na área educacional para saber como lidar com essas necessidades.

O Papel da Enfermagem

É importante que o enfermeiro conheça sobre o autismo para avaliar a família, assim dar o apoio necessário para os cuidados com o autista. O principal objetivo é o cuidar, tanto do paciente quanto da família.

Do nascimento aos 15 meses alguns sinais são observados:

  • Choram muito ou não choram.
  • Dificuldades na amamentação ou alimentação.
  • Apáticos em relação ao ambiente ou pessoas.
  • Movimentos repetitivos como balançar as mãos.
  • Interesse obsessivo por algum objeto ou jogos.
  • Sono prejudicado.

18 meses até 2 anos

  • Preferências diferenciadas na alimentação.
  • Atraso ou ausência na fala.

Após os 2 anos

  • Dificuldade da fala, repetição de palavras.
  • Dificuldade ou incapacidade para jogos comuns.
  • Insensibilidade à dor.

A assistência inclui a elaboração de um plano de cuidados para melhora do paciente, considerando que esse processo é individual, pois é necessário analisar a necessidade de cada um. A seguir encontramos algumas ações:

Desestimular a auto-agressão, desviando a sua atenção para outras coisas ou objetos.

  • Ter contato com toque, demonstrando carinho.
  • Prestar atenção ao que o paciente diz.
  • Ensinar e estimular o auto-cuidado com a higiene.
  • Desestimular os movimentos repetitivos.
  • Estimular atividades em grupo.
  • Promover atividades entre a criança e a família.
  • Brincadeiras com objetos da preferência da criança.
  • Brinquedos lúdicos como: bolas de sabão, brinquedos com som, músicas, bolas, bonecos, entre outros.
  • Brincar com figuras, ajuda a criança a se comunicar.

É indicado que o acompanhamento a esses pacientes e familiares deva ser feito por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, psicopedagogos, terapeutas e profissionais da educação.

Figura 3. Fonte: https://i.pinimg.com/originals/a8/98/b8/a898b88aa159367c5f46fcf1be89ab65.jpg

 

REFERÊNCIAS

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