Consulta de Enfermagem ao Paciente Diabético

Tempo de leitura: 7 minutos

O diabetes mellitus (DM) é um transtorno metabólico caracterizado pela hiperglicemia e distúrbios no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas, associado à ausência ou déficit de excreção de insulina ou atividade ineficiente. É uma patologia que acomete muitas pessoas e requer uma atenção especial, cuidado individualizado e contínuo. Assim, na Atenção Básica, o enfermeiro tem um papel fundamental no cuidado e acompanhamento a esses pacientes.

Em todo o mundo, estima-se que em 2025 a DM alcance 350 milhões de pessoas, número evidente em países pobres e em desenvolvimento. O Brasil está na 8ª posição com 4,6% em casos de DM, podendo passar para a 6ª posição com 11,3% em 2030. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o DM uma doença crônica e um grande problema na saúde pública.

O Ministério da Saúde recomenda que a consulta de enfermagem tenha ações para estratificação de risco cardiovascular, orientação sobre mudanças no estilo de vida, verificação de possíveis intercorrências durante o tratamento, realização de exames nos membros inferiores. Para a estratificação de risco cardiovascular, cerebrovascular e renal crônica, recomenda-se uso do escore de Framingham.

A atuação do enfermeiro é de extrema importância a esses pacientes, pois, por muitas vezes, os pacientes o consideram como profissional de confiança, expondo seus problemas familiares, socioeconômicos, físicos e psicoemocionais. O enfermeiro participa ativamente com o acolhimento a esses pacientes.

A Consulta de Enfermagem

A consulta deve ser realizada de acordo com as fases do Processo de Enfermagem. Para conhecer um pouco mais sobre esse tema, consulte no artigo O Processo de Enfermagem (PE) e a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no link http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/o-processo-de-enfermagem-pe-e-a-sistematizacao-da-assistencia-de-enfermagem-sae/.

Vale ressaltar que a consulta a esses pacientes deve ter um processo de educação em saúde, auxiliando em como conviver com sua condição da melhor forma possível, reforçando a orientação sobre riscos e possíveis problemas, sobre como prevenir complicações e ter conhecimento sobre sua patologia para um melhor autocuidado. O enfermeiro precisa ser atencioso, observador e gentil, ser determinado, criando estratégias de acordo com as necessidades do paciente.

FASES DA CONSULTA

Histórico de Enfermagem: anamnese e exame físico

- Identificação do paciente por meio dos dados socioeconômicos, moradia, ocupação, região, escolaridade e lazer.

- Queixas atuais.

- Antecedentes pessoais e familiares (história familiar de DM, doença renal, hipertensão, doenças cardíacas e diabetes gestacional).

- Medicamentos em uso e possíveis presenças de efeitos colaterais.

- Hábitos de vida: alimentação, sono e repouso, higiene e funções fisiológicas.

- Fatores de risco: alcoolismo, tabagismo, dislipidemia, sedentarismo, obesidade e estresse.

- Mensurar altura, peso e circunferência abdominal e calcular IMC.

- Aferir a pressão arterial com o paciente sentado e deitado.

- Verificar se há alteração na visão.

- Examinar a cavidade bucal, atentando-se à presença de gengivite, candidíase e problemas odontológicos.

- Verificar a frequência cardíaca e respiratória e realizar ausculta cardíaca e pulmonar.

- Verificar a integridade da pele, coloração, turgor e manchas.

- Avaliar os membros inferiores: edema, dor, pulsos pediosos e lesões, as articulações (extensão, flexão, edemas, limitações de mobilidade), pés (sensibilidade, bolhas, calosidades, ferimentos e corte das unhas).

Diagnóstico de enfermagem

Para o diagnóstico é importante estar atento as seguintes situações:

- Dificuldade e déficit cognitivo.

- Diminuição da acuidade visual e auditiva.

- Problemas emocionais, sintomas depressivos e outras barreiras psicológicas.

- Sentimento de fracasso pessoal, crença no aumento da severidade da doença.

- Medos: da perda da independência, de hipoglicemia, do ganho de peso, das aplicações de insulina.

- Conhecimento e habilidades psicomotoras, por exemplo com a insulina: o paciente realiza a autoaplicação? Se não realiza, quem faz? Por que não autoaplica? Como realiza a conservação e o transporte?

- Automonitoração: o paciente consegue realizar a verificação da glicemia capilar? Apresenta dificuldade no manuseio do aparelho?

Planejamento da assistência

O planejamento são estratégias para prevenir, minimizar ou corrigir os problemas identificados, sempre estabelecendo metas com o paciente. Checar e orientar sobre:

- Sinais de hiperglicemia ou hipoglicemia, orientar em como agir diante dessas situações.

- Motivar sobre adoção de um estilo de vida saudável.

- Percepção de presença de complicações.

- A doença e o processo do envelhecimento.

- Uso dos medicamentos seja oral ou insulina: indicação, dose, horário, efeitos desejáveis e efeitos colaterais, complicações da doença, controle da insulina.

- Para o uso da insulina: orientar sobre o modo correto e planejamento de rodízio dos locais de aplicação para evitar lipodistrofia.

Implementação da assistência

Deve ser realizada a cada consulta de acordo com as necessidades do paciente e com o grau de risco. As pessoas com dificuldades para o autocuidado precisam de um suporte maior para que se tornem aptas a se cuidarem.

Avaliação

Avaliar com o paciente e a família quanto às metas estabelecidas e grau de satisfação. Avaliar a cada consulta se ocorreu alguma mudança, considerando se há necessidade de mudança ou adaptação no processo de cuidado e, se necessário, reestruturar o plano. Lembrando que deve ser registrado no prontuário todo o processo de acompanhamento.

Em caso de complicação como pé diabético, tenha mais informações com o artigo Enfermagem no Cuidado com o Pé Diabético http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/enfermagem-no-cuidado-com-o-pe-diabetico/

Os cuidados a esses pacientes requerem um acompanhamento interdisciplinar conforme a necessidade do paciente. O trabalho em equipe poderá trazer um melhor resultado, pois o foco sempre será a melhora da qualidade de vida e bem-estar do paciente.

Mais um artigo que esperamos ter contribuído para seu aprendizado. Muito obrigada e até o próximo!

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus / Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 160 (Cadernos de Atenção Básica, n. 36).
CURCIO, Raquel; LIMA, Maria Helena; TORRES, Heloísa de Carvalho. Protocolo para consulta de enfermagem: assistência a pacientes com diabetes mellitus tipo 2 em insulinoterapia. Revista Gaúcha Enferm , [S.l.], v. 30, n. 3, p. 552-557, set. 2009. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/7987/6998>. Acesso em: 05 jan. 2018.
SILVA, Tiago Fernando Aragão da et al. Consulta de enfermagem à pessoa com diabetes mellitus na atenção básica. Revista Mineira de Enfermagem , [S.l.], v. 18, n. 3, jul. 2014. Disponível em: <http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/957>. Acesso em: 05 jan. 2018.
TÔRRES, Jéssica Sâmia Silva et al. Consulta de enfermagem ao diabético utilizando o Protocolo Staged Diabetes Management. Rev enferm UERJ , Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, p. 466-471, jun. 2014. Disponível em: <http://www.facenf.uerj.br/v22n4/v22n4a05.pdf>. Acesso em: 05 jan. 2018.

Comentários

comentários