Conhecendo a Especialidade de Enfermagem em Endoscopia

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A enfermagem em endoscopia surgiu com a evolução dos instrumentos e técnicas endoscópicas em 1940, quando os endoscopistas da época passaram a precisar de um assistente durante os procedimentos endoscópicos. Desde então, tem sido uma busca incessante para aperfeiçoar e especializar o profissional da enfermagem a cumprir esse papel nos grandes centros endoscópicos.

Internacionalmente, só em 1974 foi formada a primeira Sociedade dos Assistentes Gastrointestinais (SGA). No Brasil, foi em 1998 que foi fundada a Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia Gastrointestinal (SOBEEG). A partir dessa organização que a enfermagem em endoscopia vem tentando conquistar seu espaço, não só nos serviços de endoscopia públicos e privados, como nas instituições que a representam como profissionais da saúde.

Com o acelerado processo de modernização científico-tecnológica, o profissional de enfermagem em endoscopia, tem investido muito na sua formação para atender por completo suas funções dentro do mercado de trabalho, bem como para promover segurança e bem-estar psicoemocional aos pacientes. Em contrapartida, ainda são poucas as instituições de ensino que promovem essa formação especializada.

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), por meio da Resolução nº 290/2004 de 24 de março de 2004, fixou como especialidades de enfermagem 37 categorias em seu total, dentre elas, mais especificamente em seu número 16, está a de endoscopia. Contudo, em 2011, essa mesma resolução foi revogada pela Resolução COFEN Nº 389/2011, que somava 42 especialidades, tendo sido retirada a endoscopia. Não houve nenhuma explicação da exclusão da especialidade já reconhecida pelo Ministério da Saúde. Hoje, no Brasil, existem apenas dois cursos de pós-graduação para enfermeiros em endoscopia e nenhum curso técnico para técnicos de enfermagem.

Embora sejamos um grupo de profissionais que buscam conhecimento técnico-científico, não conseguimos impulsionar a carreira no mercado de trabalho, já que somos substituídos por mão de obra barata de nível técnico. Esse fato é alarmante pois a endoscopia é um serviço diagnóstico-terapêutico de alta complexidade, especialmente os serviços classificados como dos tipos II e III (RDC n. 6/2013).

PERFIL DO ENFERMEIRO EM ENDOSCOPIA BRASILEIRO

O perfil profissional brasileiro foi desenvolvido pela SOBEEG em 1998 quando foi fundada. Apesar da Sociedade ser extinta,  o profissional enfermeiro de endoscopia no Brasil vem crescendo e se especializando cada vez mais.  Os autores que elaboraram o perfil dos enfermeiros que atuam em endoscopia são profissionais que participam das publicações atualizadas de endoscopia digestiva.

O gerenciamento da assistência de enfermagem abrange o planejamento, a organização e a coordenação dos recursos humanos de enfermagem e do ambiente no qual o cuidado é implementado.  No centro endoscópico, o crescimento tecnológico promoveu mudanças no perfil do profissional enfermeiro para sua atuação nos processos diagnóstico-terapêuticos relacionados com as afecções gastrointestinais.

  1. As responsabilidades desse enfermeiro são muitas, exigindo cuidados antes, durante, após e na alta do paciente do serviço de endoscopia. Para bem servir esse paciente, as unidades devem ter uma estrutura organizada e com programação prévia para realização dos exames. A enfermeira deve coordenar uma equipe de enfermagem assegurando qualidade na assistência, na segurança e na satisfação do cliente.
  2. São imperativos conhecimentos tecnológicos pela equipe de enfermagem que irá manipular os aparelhos e acessórios, além de treinamentos regulares. Ensino e pesquisa também fazem parte desse serviço. A atuação direta com a equipe médica permite atualização de conhecimentos específicos de endoscopia, cuidados ao paciente durante o exame, sedação, analgesia e reações adversas. Deve-se dominar os princípios de desinfecção e esterilização, bem como conhecer os produtos a eles relacionados. Além disso, o enfermeiro também deve se preocupar com os custos dos materiais a serem adquiridos.
  3. O enfermeiro de endoscopia e gastroenterologia assume a responsabilidade de avaliar, planejar, implementar, dirigir, supervisionar e avaliar direta e indiretamente o paciente e a unidade de gastroenterologia/endoscopia. Ele é responsável pelo treinamento e pela atualização da equipe assistente. É capaz de assistir a todas as idades, pois os pacientes podem ser adultos, adolescentes, crianças ou idosos.
  4. A assistência de enfermagem inclui o cuidado e o tratamento necessário para prover o conforto e a segurança emocional e física durante o exame. O enfermeiro de endoscopia adapta teorias de microbiologia, comunicação, ética e ciências do comportamento para formar a base da prática. A prática é continuamente influenciada pelas necessidades do paciente e da família, pela colaboração entre medicina e enfermagem e pelo nível de autonomia profissional na prática local.

O papel do enfermeiro inclui, mas não é limitada a:

- Estabelecer diagnósticos de enfermagem.

- Prover educação em saúde para o procedimento a ser realizado.

- Estabelecer prioridades e decidir eticamente para assegurar segurança no cuidado do paciente.

- Auxiliar em procedimentos mais complexos de endoscopia.

- Atender às emergências.

- Registrar procedimentos e avaliações realizadas.

- Participar como membro ativo em organizações profissionais, contribuindo para publicações e apresentações em encontros profissionais.

- Participar de eventos científicos, contribuindo com produções científicas e apresentações em eventos científicos.

- Proceder a limpeza e a desinfecção de acordo com as normas vigentes da microbiologia.

 

REFERÊNCIAS

1 – Silva, M.G. Enfermagem em endoscopia digestiva e respiratória. São Paulo:    Atheneu: editora 2010.

2 -   Averbach M. et al.  Endoscopia Digestiva: Diagnóstico e Tratamento: SOBED. Rio de Janeiro:  Revinter editora; 2013.

4 - < Http://www.cofen.gov.br/sp-instituto-sirio-libanes-oferece-cursos-de-pos-graduacao-em-enfermagem> . Acesso 14/02/2018

5 -  < http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3892011_8036.html>  Acesso  14/02;2018

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