Choque Neurogênico e a Atuação da Enfermagem

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O choque neurogênico é um tipo de choque distributivo ou vasogênico, no qual há perda do tônus simpático que causa a hipovolemia relativa, isto é, a perda do equilíbrio entre as estimulações parassimpática e simpática. A estimulação simpática faz o músculo liso vascular se contrair e a estimulação parassimpática faz o músculo liso vascular relaxar ou dilatar. A estimulação parassimpática predominante provoca a vasodilatação, que dura por períodos longos, levando ao estado hipovolêmico relativo. Por sua vez, o volume sanguíneo é adequado, pois a vasculatura está dilatada, o volume sanguíneo é deslocado, produzindo um estado de hipotensão.

A estimulação parassimpática dominante ocorre devido ao choque neurogênico, provocando uma considerável redução na resistência vascular sistêmica e bradicardia. A pressão arterial inadequada resulta na perfusão insuficiente de tecidos e células que são comuns em todos os estados de choque.

O choque neurogênico pode ocorrer por lesão da medula espinal, anestesia espinal ou alguma outra lesão do sistema nervoso, pode ser resultado de ação depressora de medicamento ou falta de glicose como, por exemplo, reação à insulina ou choque insulínico.

A sua evolução pode ser prolongada (lesão da medula espinal) ou curta (desmaio ou síncope). Considerando que durante um período de estresse que a estimulação simpática faz a pressão arterial aumentar junto com a frequência cardíaca, no choque neurogênico o sistema simpático não consegue responder aos estressores orgânicos, assim as características clínicas são os sinais de estimulação parassimpática, as quais consistem em pele quente e seca, no lugar de pele úmida e fria observados no choque hipovolêmico. A bradicardia com hipotensão é outra característica, ao contrário da taquicardia que é comum em outras formas de choque.

O tratamento consiste em restaurar o tônus simpático, estabilizando a lesão medular espinal ou, no caso da anestesia espinal, posicionando o paciente da maneira adequada.

Manejo de enfermagem

É essencial elevar e manter a cabeceira do leito a pelo menos 30º, assim evitando o choque neurogênico quando o paciente recebe anestesia epidural ou espinal. Elevando a cabeceira ajuda a evitar a disseminação do agente anestésico para cima na medula espinal. Havendo suspeita de lesão raquimedular, pode-se evitar o choque neurogênico imobilizando cuidadosamente o paciente para que assim, não ocorra dano adicional da medula espinal. A enfermagem direciona a prescrição de enfermagem no sentido de sustentar as funções cardiovasculares e neurológicas. Para reduzir o represamento do sangue nas pernas, aplicam-se meias antiembólicas e elevação dos pés, considerando que o sangue represado aumenta o risco de formação de trombo. A enfermagem deve atentar-se diariamente para qualquer rubor, dor e calor no membro inferior.

O paciente deve ser avaliado para trombose venosa profunda, quando se queixar de dor e o exame objetivo da panturrilha for suspeito. Para evitar a formação de trombo, administra-se heparina ou heparina de baixo peso molecular (Lovenox) conforme prescrição médica. A aplicação de meias antiembólicas ou uso de compressão pneumática, são medidas as quais ajudam a evitar a formação de trombo.

REFERÊNCIAS

MOURAO JUNIOR, C. A.; SOUZA, L. S. Fisiopatologia do choque. HU Revista, Juíz de Fora, v. 40, n. 1, p. 73-78, jan. 2014. Disponível em: <https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/2403>. Acesso em: 23 mar. 2018.
SMELTZER SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. vol. I e II.
VICENTE, W. V. A.; RODRIGUES, A. J.; SILVA JÚNIOR, J. R. Choque circulatório. Medicina , Ribeirão Preto, v. 41, n. 4, p. 437-448, 2008. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/download/286/287>. Acesso em: 23 mar. 2018.

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