Biópsia de Tireoide e o Procedimento de Enfermagem

Tempo de leitura: 5 minutos

A biópsia de tireoide consiste na excisão de uma amostra de tecido da tireoide para exame histológico, indicada para pacientes com aumento de tamanho da glândula ou devido a nódulos, mesmo quando os níveis séricos de tri-idotironina (T3) e tiroxina (T4) estão normais, dificuldades de deglutição e respiratórias, perda de peso, paralisia das cordas vocais, hemoptise e sensação de plenitude no pescoço. Costuma ser realizada quando exames não invasivos, como a cintigrafia da tireoide ou ultrassonografia, são anormais ou inconclusivos.

Para o procedimento, o tecido tireoideo pode ser obtido com agulha sob anestesia local ou durante uma biópsia a céu aberto (cirúrgica) sob anestesia geral. Considera-se que para ajudar no diagnóstico e substituir a biópsia cirúrgica, pode ser realizada a aspiração por agulha fina ou grossa com exame citológico de um esfregaço, e esse procedimento pode possibilitar o exame direto e a excisão imediata do tecido suspeito. A incapacidade de obter uma amostra de tecido representativa pode constituir uma interferência do exame. Há a classificação de Bethesda para exames citológicos de tireoide.

Achados normais

- Paredes foliculares revestidas com epitélio cuboide contendo a proteína tireoglobulina.

- Glândula dividida em pseudolóbulos, constituídos por redes fibrosas de folículos e capilares.

Achados anormais

- Padrões histológicos específicos, característicos da tireoidite granulomatosa subaguda ou tireoidite linfocítica, hipertireoidismo ou tireoidite de Hashimoto (tireoidite crônica).

- Carcinoma folicular, visto que pode assemelhar-se às células tireoideas normais.

- Nódulos solitários bem encapsulados de estrutura uniforme, porém anormais, indicando carcinoma papilar.

- Células hipertróficas, hiperplásicas e hipervasculares, indicando bócio nodular atóxico.

Finalidade

- Auxiliar a indicar o diagnóstico de doença de Hashimoto, hipertireoidismo e bócio nodular atóxico.

- Distinguir a doença da tireoide benigna da maligna.

Atuação da enfermagem

- Instruir o paciente sobre o procedimento.

- Notificar os resultados anormais ao médico.

- Preparar o paciente para outros exames ou para cirurgia, quando indicado.

Como precauções

- Proceder com cautela no paciente com defeitos da coagulação, indicados por prolongamento do tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial (TTP) ou razão normalizada internacional (INR).

- O paciente deve encontrar-se no estado eutireoideo antes de qualquer tipo de cirurgia da tireoide para evitar a tempestade tireoidea.

- Colocar de imediato a amostra em solução de formol, pois a decomposição das células na amostra de tecido começa imediatamente após sua excisão.

Antes do Exame

- Certificar-se sobre a identidade do paciente usando dois identificadores, de acordo com as normas da instituição.

- Esclarecer ao paciente que a biópsia de tireoide proporciona o exame microscópico de uma amostra de tecido tireoideo.

- Descrever o procedimento ao paciente e responder às suas perguntas.

- Informar ao paciente quem irá realizar o procedimento, quando e onde será feito.

- Comunicar ao paciente que não há necessidade de restringir o consumo de alimentos e de líquidos para o exame, a não ser que receba anestesia geral.

- Confirmar que o paciente ou um membro responsável da família assinou o formulário de consentimento informado.

- Comunicar ao paciente que o mesmo irá receber um anestésico local para minimizar a dor durante o procedimento, mas que poderá sentir alguma pressão quando for obtida a amostra de tecido.

- Verificar se o paciente já apresentou hipersensibilidade aos analgésicos ou anestésicos.

- Verificar os resultados do coagulograma do paciente e certificar-se de que estão no seu prontuário.

- Comunicar ao paciente que ele poderá ter faringite no dia seguinte à biópsia.

- Administrar um sedativo ao paciente 15 minutos antes da realização da biópsia.

Durante o Exame

- No caso da biópsia por agulha, colocar o paciente em decúbito dorsal, com um travesseiro sob as escápulas, considerando que essa posição traciona a traqueia e a tireoide para a frente e permite que as veias do pescoço caiam para trás.

- Preparar a pele no local da biópsia.

- Rotular todos os medicamentos, os recipientes de medicamentos ou outras soluções no campo estéril e fora dele.

- Durante o período em que o médico está se preparando para injetar o anestésico local, orientar o paciente para não deglutir. Após injeção do anestésico, a artéria carótida é palpada, e a agulha de biópsia é introduzida paralelamente à cartilagem tireóidea para evitar qualquer lesão das estruturas profundas e da laringe. Em seguida da obtenção da amostra, a agulha é removida, e a amostra é colocada imediatamente em formol.

- Realizar pressão no local da biopsia para interromper o sangramento. Caso o sangramento continue por mais de 5 minutos, exercer pressão sobre o local por mais 15 minutos.

- Aplicar um curativo adesivo. O sangramento pode persistir quando o paciente apresenta prolongamento do TP ou do TTP ou quando apresenta tireoide grande e vascular com veias distendidas.

Após o Exame

- Colocar o paciente em posição semi-Fowler, para um melhor conforto.

- Instruir o paciente para colocar ambas as mãos atrás do pescoço quando for sentar, assim evitando tracionar o local da biopsia.

- Verificar se há dor à palpação ou vermelhidão e notificar imediatamente os sinais de sangramento no local da biopsia.

- Observar a nuca do paciente e o travesseiro à procura de sangramento a cada hora, durante 8 horas.

- Observar a ocorrência de respiração difícil provocada por edema ou hematoma, com consequente colapso da traqueia.

- Manter o local da biópsia limpo e seco.

Mais um artigo que esperamos ter contribuído com vocês. Até o próximo!

 

REFERÊNCIAS

FISCHBACH, F. T. Exames laboratoriais e diagnósticos em enfermagem. 9. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016
SMELTZER SC, Bare BG. Brunner&Suddarth: Exames Complementares. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011

Comentários

comentários