Atuação do Enfermeiro na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

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Considerada a sexta causa de morte no Brasil e a terceira causa de internação hospitalar, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) acomete 15,8% da população na região metropolitana de São Paulo e associa-se, principalmente, ao hábito de fumar cigarros.

Apesar de acometer predominantemente os pulmões, a DPOC frequentemente causa manifestações em outros órgãos e sistemas. É caracterizada por limitação do fluxo aéreo não totalmente reversível, progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos.

Quanto ao processo inflamatório crônico, pode produzir modificações dos brônquios (bronquite crônica) e causar destruição do parênquima pulmonar (enfisema), com consequente redução de sua elasticidade. A presença dessas alterações é variável em cada indivíduo e determina os sintomas da enfermidade.

A bronquite crônica, definida clinicamente como tosse produtiva durante três meses em dois sucessivos anos em pacientes sem outras causas de tosse crônica, e o enfisema, definido em termos histopatológicos como dilatação dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais com destruição das paredes e sem fibrose, são os representantes deste grupo de doenças. Nos pacientes com DPOC, frequentemente, as duas condições coexistem em proporções difíceis de serem determinadas.

A asma difere da DPOC na sua patogenia e resposta terapêutica, estando fora deste grupo, mesmo se sabendo que alguns pacientes chegam a desenvolver obstruções irreversíveis ao fluxo aéreo semelhantes aos portadores de DPOC. Contudo, alguns pacientes podem apresentar ambas as doenças, caracterizando-se funcionalmente pela persistência de limitação crônica ao fluxo aéreo e grande resposta aos broncodilatadores, além de ampla variabilidade do grau de obstrução.

Outras doenças, como bronquiectasias, fibrose cística e sequelas de tuberculose, não se incluem na definição de DPOC, mesmo com comportamento funcional parecido.

SINAIS, SINTOMAS E CARACTERÍSTICAS DA DPOC

  • Tosse crônica.
  • Produção de expectoração e dispneia ao esforço.
  • Hipersecreção de muco.
  • Contração da musculatura lisa das vias aéreas.
  • Espessamento da parede brônquica.
  • Perda de retração elástica e destruição alveolar levam à limitação do fluxo aéreo.
  • Inadequação da relação ventilação-perfusão e à hiperinsuflação pulmonar.
  • Baqueteamento digital.
  • Dispneia aos pequenos esforços e posição de “tripé”.

FATORES DE RISCO

  • Fumaça do cigarro.
  • Poeiras ocupacionais.
  • Irritantes químicos.
  • Poluição ambiental.
  • Baixa condição socioeconômica e infecções respiratórias graves na infância.

TRATAMENTO

Objetiva prevenir a progressão da doença, aliviar sintomas, melhorar a tolerância ao exercício, melhorar a qualidade de vida, prevenir e tratar as complicações, as agudizações e os efeitos colaterais pelo próprio tratamento; reduzir a mortalidade. Três medidas apresentam maior impacto nesses objetivos: cessar o tabagismo, a reabilitação pulmonar e vacinação.

A reabilitação pulmonar é um programa multiprofissional de cuidados ao paciente para atingir a autonomia, o desempenho físico e social, por meio de atividades fisioterápicas, nutricionais, recondicionamento físico, apoio psicossocial e educação, adaptados às necessidades individuais.

A vacinação anual contra a gripe tem forte impacto na redução da morbimortalidade da DPOC; recomenda-se também a vacinação antipneumocócica polivalente 23, a cada cinco anos, para diminuir as exacerbações.

O tratamento farmacológico da DPOC estável é composto por broncodilatatores inalatórios de longa duração, corticoides inalatórios e oxigenioterapia. Broncodilatadores são medicações sintomáticas, podendo ser usadas, se necessário, nos pacientes com sintomas eventuais ou como terapêutica de manutenção naqueles com sintomas persistentes.

O uso de corticoides por via inalatória tem se mostrado benéfico no DPOC estável com Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) < 50% e com agudizações frequentes (em média de três ou mais exacerbações por ano); os corticoides sistêmicos (oral ou parenteral) não devem ser usados na DPOC estável e os corticoides de depósitos não são recomendados. Reserva-se a utilização de corticosteroides não inalatórios, durante curtos períodos, para os casos combinados de asma com DPOC ou exacerbações mais graves.

Tabela 1. DPOC Estadiamento

Tabela 2. Características da DPOC e da asma

Tabela 3. Tratamento da DPOC

PAPEL DO ENFERMEIRO

Cabe ao enfermeiro diagnosticar problemas de enfermagem e propor intervenções, centradas na relação terapêutica, como forma de garantir o autocuidado do cliente e manutenção eficaz do regime terapêutico, em que haja a adoção de um estilo de vida mais saudável por meio do exercício físico, da alimentação saudável e da cessação tabágica.

O enfermeiro é fundamental na elaboração de programas de reabilitação, sua implementação e orientação das equipes de reabilitação. De fato, estes programas, aumentam a qualidade de vida dos pacientes, diminuem a morbidade e reinternamentos. A manutenção do plano de cuidados instituídos na alta hospitalar passa por uma correta articulação dos enfermeiros com os cuidadores e com a equipe de saúde da família do território.

Contudo, a prevenção da doença é a prioridade do enfermeiro, sobretudo quando falamos de intervenções de educação para a saúde da população em risco, especialmente grupos jovens. O enfermeiro desenvolve as suas atividades em unidades básicas de saúde, ambulatórios, domicílio, serviços de internamento, cuidados continuados e paliativos.

Vamos agora aplicar o conhecimento que adquirimos? Baseado(a) em nosso artigo, quais os diagnósticos de enfermagem você considera que sejam prioritários em pacientes com DPOC? E os principais cuidados? Deixe seus comentários em nosso post!

 

REFERÊNCIAS

DIEZ, M.T. O Papel do Enfermeiro na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica – DPOC. Ordem dos Enf. CDR-Sul; 14(11):1-2, 2012.
HERDMAN, H.T.; KAMITSURU, R.N.S. Diagnósticos de Enfermagem da Nanda- Definições e Classificação 2015-2017.10ª Ed. Artmed, 2015.
IUNES-FILHO, J. L. I. et al. Doença pulmonar obstrutiva crônica. Editorial Mor. Jr.; 24(06):64-68, 2006.
SOUSA, C. A. et al. Doença pulmonar obstrutiva crônica e fatores associados em São Paulo, Rev. Saúde Pública, sn(sn):1-10, 2011.

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