A atuação do enfermeiro da ESF na prevenção da gripe Influenza A (H1N1)

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A influenza é uma doença infecciosa aguda de origem viral, que acomete o aparelho respiratório. É causada pelo vírus Influenza A (H1N1) e transmitido por meio da tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. Pode se espalhar por contaminação indireta, ou seja, uma pessoa não infectada toca em superfícies ou objetos (fômites) que foram contaminados por outra com o vírus e coloca a mão em contato com qualquer tipo de mucosa, seja ela oral, nasal ou conjuntiva). A transmissão por meio de gotículas de secreção nasofaríngea ocorre em distância menor que um metro.

O pico da transmissão ocorre nas 24 horas que antecedem ao início do quadro clínico (terceiro dia) até 24 horas após a sucessão do período febril. Logo, quando em ambiente hospitalar, recomenda-se o isolamento por sete dias. Afeta principalmente o nariz, a garganta, os brônquios e, ocasionalmente, os pulmões.

Entre os sinais estão: taquipneia, desidratação, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal, cornagem, convulsões, tosse seca, dispneia, alteração do estado de consciência, piora do estado geral, hipotensão arterial, taquicardia, febre repentina e acima de 38°C persistente por mais de cinco dias, saturação de O2 < 94%, podendo vir acompanhados de diarreia, ardência nos olhos e cefaleia, artralgia e mialgia.

O período de incubação pode variar de 24 horas a duas semanas. O exame para diagnóstico apresenta resultado em 72 horas. As pessoas de maior suscetibilidade para desenvolver complicações são as incluídas no grupo risco, ou seja, gestantes, crianças menores de dois anos de idade, pessoas idosas acima de 60 anos e pacientes com doenças crônicas.

Na atenção básica, o enfermeiro como promotor da saúde, deve estar atento para os sinais e sintomas apresentados, intervindo de maneira resolutiva. É de grande importância que os profissionais da saúde tenham o conhecimento para exercer atividades de prevenção junto à população. Ao se deparar com um quadro de gripe, o enfermeiro deve acolher o usuário e realizar uma avaliação diferenciando-a de um resfriado comum. Confirmado o diagnóstico de gripe influenza A, deve estabilizar o paciente e encaminhar imediatamente para o serviço hospitalar indicado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Embora as taxas de contaminação pelo vírus influenza A H1N1, apresentem redução por meio da imunização, ainda são notórios casos e surtos da doença em território nacional. Para minimizar tais casos, é importante, dentre outras medidas, a qualificação do trabalhador de saúde para que reconheçam os equipamentos de proteção individual, a sintomatologia da doença viral e as vias de transmissão. Neste sentido, a educação permanente é uma estratégia que visa à qualificação dos profissionais para práticas competentes e responsáveis.

A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção contra diversas doenças, inclusive a gripe. A vacina é constituída de vírus inativado e registra uma efetividade média maior que 95%. A resposta máxima na produção de anticorpos é observada entre o 14º e o 21º dia após a vacinação. Administrada por via intramuscular ou subcutânea, onde se espera que a soroconversão ocorra em torno de 15 dias, com um limiar ótimo em 30 dias. Podem ocorrer reações locais, como eritema e endurecimento, resolvidas geralmente em até 48 horas.

Conclui-se que o enfermeiro da Estratégia Saúde da Família (ESF) atua na prevenção da gripe influenza A (H1N1) em diversas atividades dentro e fora da unidade, tais como:

  • Durante o acolhimento da demanda espontânea, por meio da escuta qualificada e com a observação dos sinais e sintomas característicos da gripe, diferenciando-a de um resfriado comum. Identifica precocemente e atua prevenindo a ocorrência de agravos;
  • Organiza atividades de promoção à saúde para grupos de risco, juntamente com a equipe de saúde, no qual orienta a população sobre a gripe influenza A (H1N1), sintomas, meios de transmissão, tratamentos e medidas preventivas;
  • Realiza visitas domiciliares para acompanhamento das famílias de sua responsabilidade, no qual estabelece vínculo, o que propicia o conhecimento das necessidades dos indivíduos, família e sociedade, sendo uma oportunidade para promover a educação em saúde;
  • Atende todas as pessoas em diferentes faixas etárias em consulta de enfermagem, o que possibilita conhecer os indivíduos, o estado de saúde, seus anseios, forma de vida e orientá-los para que tenham um estilo de vida saudável;
  • Planeja ações em campanhas de vacinação, exerce controle e vigilância dos imunobiológicos;
  • Orienta todos os profissionais da sua equipe quanto às rotinas de vacinação, procedimentos na sala de vacina, calendário vacinal, notificações de eventos adversos, solicitação de imunobiológicos e insumos;

Tendo visto a ampla área de atuação do enfermeiro inserido na ESF esta análise nos permitiu caracterizá-lo como um profissional generalista, de visão holística e humanitária, que exerce o papel de educador em saúde por natureza, dispondo do seu conhecimento em prol da prevenção de agravos em saúde.

 

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