A Atenção para a Obesidade Infantil

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A elevada taxa de sobrepeso e obesidade é motivo de preocupação devido aos prejuízos à saúde do indivíduo. A obesidade é uma desordem multifatorial e crônica e está presente em todas as faixas etárias, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, e é associada a várias alterações metabólicas e ao sedentarismo, diminuindo assim a expectativa de vida.

A obesidade é definida pelo excesso de gordura no organismo, seja localizado ou no corpo inteiro, sendo que a gordura mais prejudicial é a que fica localizada na região do abdome. Essa gordura está diretamente ligada às doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, doenças respiratórias, alterações ortopédicas e psicossociais. É uma doença multifatorial decorrente de interações genéticas, ambientais e alterações endócrino- metabólicas.

A obesidade é classificada como endógena (pode ser genético) e exógena (excesso de alimentos). A etiologia é complexa, pois resulta na interação entre genótipo, estilo de vida, ambiente e fatores emocionais. Crianças que tem pais não obesos, o risco de tornar-se obesa é de 9%, quando o pai ou a mãe é obeso, o risco é de 50%, e quando ambos são obesos, a crianças tem o risco de até 80%.

A obesidade infantil tem sido caracterizada nos últimos anos como uma verdadeira epidemia mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica-a como a “epidemia do século XXI”. No Brasil, houve uma transição epidemiológica e nutricional, na qual a obesidade tem ocupado o lugar da desnutrição infantil, de acordo com o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN).

As crianças mais acometidas em nosso país são as das classes com o poder aquisitivo maiores, o que não ocorre em outros países como Estados Unidos, em que a maioria das crianças obesas são de classes menos favorecidas. O INAN aponta que a obesidade atinge 16% das crianças no Brasil. Estudos mostram que a criança obesa pode vir a se tornar um adulto obeso.

Entre os principais fatores que contribuem para o excesso de peso estão a alimentação inadequada, excesso de ingestão calórica, falta de atividade física, excesso de horas frente à televisão e computador.

Prevenção

  • Alimentação saudável;
  • Prática de atividade física;
  • Menos horas frente à televisão e computador;
  • Acompanhamento regular às consultas médicas, enfermagem e demais profissionais da equipe multidisciplinar;
  • Controle de peso.

Atuação de Enfermagem

Na saúde pública, as crianças se destacam como prioridade por ser um grupo vulnerável, em que ocorrem mudanças físicas e psicológicas. No entanto, devido ao aumento considerável de crianças obesas, fazem-se necessárias ações de prevenção. Na Estratégia de Saúde da Família (ESF), a consulta de enfermagem tem como foco avaliar o crescimento e desenvolvimento, identificar fatores de risco relacionados ao sobrepeso e obesidade.

Durante a consulta de enfermagem, cabe ao enfermeiro:

– Realizar anamnese.

– Avaliar – crescimento, desenvolvimento e estado nutricional.

– Verificar as medidas antropométricas.

– Solicitar exames laboratoriais.

– Avaliar presença de fatores de risco.

– Avaliar e orientar sobre imunização.

– Orientar sobre alimentação e higiene.

– Preencher gráfico de peso, estatura e perímetro cefálico na caderneta da criança e prontuário.

As curvas de crescimento são um importante método técnico para monitorar, medir e avaliar o crescimento das crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, independente de etnia, tipo de alimentação e situação socioeconômica. A desnutrição, sobrepeso, obesidade e condições associadas ao crescimento e à nutrição da criança, podem ser identificadas e encaminhadas.

Figura 1. Caderneta de Saúde da Criança. Fonte: http://www.papaieduca.com.br/noticia/ja-viu-como-ficou-o-calendario-nacional-de-vacinacao/99

As curvas de crescimento segundo a OMS, adaptam-se bem ao padrão de crescimento das crianças e adolescentes e aos pontos de corte de sobrepeso e obesidade, considerando que existe diferença entre o peso do menino e o peso da menina (Figura 2).

Figura 2. Cálculo de MC para meninos e meninas. Fonte: https://www.calculo-exato.com/calculo-exato-de-imc-indice-de-massa-corporal/

Na Unidade Básica de Saúde (UBS), segundo o Ministério da Saúde, cabe ao enfermeiro incentivar a população em ações de promoção a saúde, voltadas à alimentação saudável e prevenção da obesidade.

Incentivar a adoção dos princípios da pirâmide alimentar (Figura 3).

Figura 3. Pirâmide alimentar. Fonte: http://www.amucc.org.br/portal/7-dicas-para-oferecer-uma-alimentacao-saudavel-para-as-crianca/

Incentivar atividade física (Figura 4).

Figura 4. Atividade física. Fonte: http://www.colegioeducativo.com.br/noticia/a-atividade-fisica-ideal-de-acordo-com-a-idade-da-crianca/2903

A obesidade é um problema de saúde pública e sua prevalência tem aumentado em todos os países do mundo, devido a hábitos como falta de atividade física e nutrição rica em gorduras, o que acaba se tornando algumas das principais causas do excesso de peso nos dias atuais.

As estratégias para prevenção podem ser realizadas com bases em:

  • Realizar ações educativas desde o pré-natal sobre a alimentação saudável;
  • Estimular ao conhecimento da importância da atividade física;
  • Promover atividades físicas de forma lúdicas e recreativas;
  • Observar comportamento sedentário;
  • Orientar sobre a importância de horas de sono adequado;
  • Orientar sobre o controle de tempo em TV, computadores e jogos eletrônicos;
  • Identificar pacientes de risco.

O Ministério da Saúde publicou em 2014 o Guia Alimentar da População Brasileira, o qual orienta sobre os cuidados e caminhos recomendados para uma alimentação saudável, saborosa e balanceada, orienta sobre como escolher os alimentos, como prepará-los e como comê-los.

Sobre atividades físicas:

Crianças de 0 a 2 anos – devem ser incentivadas a brincar, se movimentar (pegando algo, segurando, puxando e empurrando), engatinhar e se arrastar, várias vezes ao dia.

Crianças de 3 a 5 anos – executar qualquer atividade seja: andar de bicicleta, jogos com bola, atividades na água por ao menos 180 minutos por dia.

Crianças e adolescentes de 6 a 19 anos – ao menos 60 minutos por dia com corrida, saltos, pedaladas, caminhadas entre outras.

Nesse sentido faz-se necessário o envolvimento de profissionais de saúde como enfermeiros, médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e os pais, a fim de conscientizar sobre a importância da prevenção da obesidade para uma vida com qualidade.

Esperamos que tenham gostado.

Até o próximo!

 

REFERÊNCIAS

Agência Nacional de Saúde Suplementar (Brasil). Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos. Gerência-Geral de Regulação Assistencial. Gerência de Monitoramento Assistencial. Coordenadoria de Informações Assistenciais. Manual de diretrizes para o enfretamento da obesidade na saúde suplementar brasileira [recurso eletrônico] – Rio de Janeiro : ANS, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança : crescimento e desenvolvimento – Brasília : Ministério da Saúde, 2012. 272 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, nº 33).
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica : obesidade – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. 212 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica, n. 38)
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. 156 p. : il.
CORGOZINHO, Juliana Nunes Costa; RIBEIRO, Gabriela de Cássia. Registros de Enfermagem e o enfoque na prevenção da obesidade infantil. R. Enferm. Cent. O. Min. , [S.l.], v. 3, n. 3, p. 863-872, set. 2013. Disponível em: <http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/398/532>. Acesso em: 01 nov. 2017.
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