Atenção à Mulher no Período de Climatério/Menopausa

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Climatério ou perimenopausa é definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma fase fisiológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher, sendo nesse período em que surgem as irregularidades menstruais e queixas vasomotoras, antecedendo a menopausa, visto que é nesse período que se inicia a queda da produção hormonal.

A menopausa é a última fase do climatério, pois ocorre seguido por doze meses de ausência do ciclo menstrual. Isso acontece aproximadamente aos 50 anos, porém pode variar entre 43 e 57 anos. É considerada prematura ou precoce, a menopausa anterior à idade mínima prevista.

O conceito de menopausa surgiu a partir de um artigo de Gardanne, publicado em 1816, denominado “Conselho às mulheres que entram na idade critica”, o qual descreve a síndrome denominada “La menopausie”. A palavra climatério vem do grego Klimacter, que significa período crítico, e era usada para nomear o período que antecedia o fim da vida reprodutiva, e menopausa para nomear o período de interrupção definitiva menstrual, isso ocorreu até final de 1970. Em 1980 um grupo da OMS propôs a padronização da terminologia na qual o termo climatério, fosse substituído por perimenopausa.

No período de queda da produção hormonal, a mulher apresenta vários sintomas como ondas de calor, insônia, irritabilidade, suores noturnos, ressecamento vaginal, depressão, dispareunia, redução da libido, entre outros.

As produções desses hormônios sexuais ocorrem nos ovários. Durante essa diminuição, o hormônio estrógeno aumenta o risco de doenças cardiovasculares e também está ligado à osteoporose. Já a diminuição da progesterona interfere na liberação das secreções do endométrio, na libido e na queda do tônus muscular.

Para o diagnóstico costuma-se fazer exames laboratoriais de FSH (hormônio folículo estimulante), LH (hormônio luteinizante) e estradiol.

Alguns medicamentos usados são:

Estrogênios

  • 17-betaestradiol – comprimidos, adesivos, gel, spray nasal e implantes.
  • Estriol – comprimidos e creme vaginal.
  • Estrogênios conjugados – comprimidos e creme vaginal.
  • Promestriene – creme vaginal.
  • Valerato de estradiol – comprimidos.

Progestógenos

  • Acetato de medroxiprogesterona; acetato de noretindrona; noretindrona; nomegestrol; levonorgestrel; acetato de ciproterona – comprimidos.
  • Acetato de medroxiprogesterona – injetável.
  • Etonogestrel – anéis vaginais.

Associações estrogênios-progestógenos

  • 17-beta-estradiol + noretisterona - adesivos.
  • Estrogênios conjugados + acetato de medroxiprogesterona – comprimidos.
  • Valerato de estradiol + acetato de ciproterona – comprimidos.
  • Estradiol + acetato de noretisterona – comprimidos.
  • 17-beta-estradiol + etonogestrel – anéis vaginais.

Como forma de ajuda, existe a terapia de reposição hormonal (TRH), em que normalmente combinam-se os dois hormônios, estrógeno e progesterona. Esse acompanhamento pode ser realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Núcleos de Saúde da Família (NASF), onde são oferecidos esses tratamentos e tratamento com medicamentos fitoterápicos.

O tratamento de reposição hormonal costuma ser restrito às mulheres fumantes, sedentárias, obesas, diabéticas, hipertensa (quando não é controlada mesmo com uso de hipertensivo) e que tenha predisposição à infarto. Não podem fazer uso de reposição hormonal, mulheres que já tiveram câncer de mama, útero e portadoras de porfirias (doenças que obstrui as articulações).

A enfermagem atua na promoção a saúde e no acolhimento a essas mulheres, pois é necessária a orientação sobre as mudanças que ocorrem nesse período, à família, para que entendam essas mudanças. Orientá-las a respeito da atividade física regular, controle do consumo de bebida alcoólica, qualidade do sono, interrupção do uso de tabaco, autocuidado, entre outros.

Nesse período, a mulher requer uma atenção especial, pois com tantas mudanças físicas e, muitas vezes psicológicas, faz-se necessário o acompanhamento multidisciplinar com enfermeiros, médicos, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas.

REFERÊNCIAS

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