Assistência de Enfermagem à Criança em Regime de Internação

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Falamos tanto em humanização, acolhimento, formas de melhorar o atendimento aos pacientes/clientes de acordo com suas especialidades e especificidades mas, e quanto ao atendimento em pediatria, as crianças têm sido beneficiadas com isso? Hoje, vamos refletir um pouco sobre a assistência de enfermagem à criança em regime de internação.

Qual o significado da hospitalização para a criança?

A maioria das crianças que adoecem ficam mais chorosas e agarradas aos pais. Se a sua patologia for tão grave a ponto de exigir uma hospitalização, seu quadro emocional tende a piorar, em função de encontrar-se afastada de sua casa, familiares e, principalmente, pelos procedimentos médicos e de enfermagem aos quais esta será submetida.

Na maior parte do tempo de hospitalização, a criança ficará restringida ao leito, submetida à passividade, cercada de pessoas estranhas e, para ela, más, por trazerem a dor e o sofrimento.

Dor esta representada por todas as agulhadas, cortes e outros procedimentos desagradáveis até mesmo para um adulto.

Ameaças do tipo: "se você não ficar quietinha vou chamar a enfermeira para te dar uma injeção!", ou "não vai doer, viu filhinho!" em nada contribuem para a cura e confiança da criança no profissional.

Para que o tratamento tenha êxito num período menor de internação, é importante o estabelecimento de vínculo e confiança da criança com o profissional. Atitudes sinceras e verdadeiras, vendo a criança como um indivíduo que tem direitos e deveres, com certeza são fundamentais para o sucesso. Familiarize a criança ao ambiente hospitalar, explicando as rotinas e procedimentos que serão realizados e o porquê de cada um, que poderá doer ou demorar, mas que você estará junto com ela para dar força e coragem.

Possibilitar à criança um espaço para que ela possa expressar seus sentimentos à respeito das experiências traumáticas, assim como suas ansiedades, raiva e/ou hostilidade.

Além disso, a doença pode trazer à criança sentimentos de culpa ou abandono, como se fosse um castigo por algo errado que ela cometeu (SEIBEL, 1992). Através de um relacionamento seguro e construtivo é possível uma atuação adequada da enfermagem, podendo ajudar a criança a lidar melhor com suas dificuldades.

A comunicação e o brinquedo terapêutico são recursos adequados que a enfermagem pode lançar mão, oferecendo a oportunidade da criança expressar-se verbalmente ou não (SIGAUD, 1996; SADALA, 1995). Ajuda a criança a lidar com diversas situações, como: "separação de pessoas significativas, procedimentos invasivos e/ou dolorosos, entre outras" (SIGAUD, 1996).

A adaptação da criança dependerá de vários fatores tais como:

  • Idade
  • Diagnóstico
  • Experiência de internações anteriores
  • Situação doméstica
  • Maturidade
  • Tratamento e atenção recebidos neste contato
  • Reação familiar é internação

Assistência de enfermagem na admissão da criança

  • Observar as condições de higiene das roupas e do corpo;
  • Despir a criança, entregando as roupas e sapatos ao responsável, identificando-as se necessário;
  • Dar banho;
  • Observar presença de lesões, hematomas, escoriações e dermatites, mostrando ao responsável para esclarecer as origens das lesões;
  • Observar coloração da pele (palidez, cianose e icterícia);
  • Verificar e anotar os sinais vitais;
  • Pesagem da criança (fundamental no momento da internação);
  • Observar respiração (irregular, superficial, desconforto, retrações, presença de secreções nas V.A.S. e de corpos estranhos);
  • Verificar se a criança esta hidratada ou não;
  • Observar as eliminações e coletar informações com o acompanhante sobre micções e evacuações;
  • Observar desenvolvimento físico e psicológico (desnutrição, emagrecimento, obesidade, agressividade, agitação e timidez).

Lembrar também que a criança é um cliente dotada de direitos e que requer cuidados de acordo com o seu contexto, sua individualidade e que também, como qualquer outro paciente, pode ser cooperativo em seus próprios cuidados. Basta, ter acesso a informações de acordo com o seu nível de entendimento e recebendo acima de tudo, o carinho que necessita enquanto ser humano.

REFERÊNCIAS

O Relacionamento da Enfermagem com a Criança Hospitalizada. Disponível em: http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/hospital.htm

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