As Orientações de Enfermagem em Osteoporose

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), osteoporose é uma doença na qual ocorre a fragilidade dos ossos, aumentando o risco de fraturas, dor crônica, deformidades e perda da independência.

No Brasil, estima-se que 50% das mulheres e 20% dos homens a partir dos 50 anos serão acometidos por uma fratura osteoporótica no decorrer da vida. As mulheres pós-menopausa, brancas, não obesas e de pequena estrutura corporal são as que apresentam maior risco.

Na osteoporose, a taxa de reabsorção óssea é maior que a taxa de formação óssea, pois os ossos tornam-se progressivamente porosos, frágeis e quebradiços, considerando que o esqueleto acumula cálcio até aproximadamente aos 30 anos e após isso, perde 0,3% ao ano. Nas mulheres, esse percentual pode chegar a 3% ao ano nos dez primeiros anos pós-menopausa. Por outro lado, os homens, brancos, com idade acima de 60 anos tem 25% de possibilidade de ter a fratura osteoporótica no quadril (Figuras 1 e 2).

Figura 1. Comparativo dos osso saudável e o osso com Osteoporose. Fonte: http://www.hong.com.br/osteoporose-muitas-vezes-silenciosa/

Figura 2. Comparativo dos osso saudável e o osso com Osteoporose. Fonte: http://www.ssisaude.com.br/Blog/post/osteoporose

Em um osso normal existe um equilíbrio entre a atividade osteoblástica e osteoclástica. O primeiro depõe matriz óssea, o segundo reabsorve. Este equilíbrio passa a ser descompensado na osteoporose, visto que a atividade osteoclástica passa a predominar.

Principais tipos de Osteoporose

  • Pós-menopausa: atinge mulheres após a menopausa. Pode ocorrer fratura na coluna.
  • Osteoporose senil: atingem pessoas com mais de 70 anos. Podem ocorrer fraturas no quadril e/ou na coluna.
  • Osteoporose secundária: atingem pessoas com algumas patologias ou alterações que podem ser renais hepáticas, endócrinas, processos inflamatórios ou o uso de alguns medicamentos como corticoides.

Fatores de Risco

  • Menopausa: devido à interrupção da menstruação, ocorre a diminuição dos níveis de estrógeno (hormônio feminino) que é essencial para manter a massa óssea.
  • Envelhecimento: aumenta a perda da massa óssea (processo natural).
  • Hereditariedade: é mais comum em pessoas com antecedentes familiares.
  • Excesso de fumo e álcool: foi observada uma maior incidência em pessoas que consomem em excesso fumo e álcool.
  • Medicamentos: medicamentos de longa duração, como corticoides, contribuem para redução da massa óssea.
  • Dieta com pouco cálcio: o cálcio é essencial para a formação óssea.

Diagnóstico

Para o diagnóstico é importante o exame físico, histórico de vida e exames complementares. A identificação é complexa, pois muitas vezes é detectado somente após alguma fratura.

  • Exame físico: podem ser identificadas alterações ou deformidades na coluna.
  • Histórico: deve ser considerada a menopausa, hábitos alimentares, consumo de álcool, fumo e café, e fator familiar.

Exames complementares: são feitos exames de laboratório e de imagem.

  • Exames laboratoriais: costumam-se solicitar hemograma, VHS (velocidade hemossedimentação) para verificação de inflamação no organismo, provas de função renal, dosagem de fósforo e cálcio, e calciúria de 24 horas.
  • Exames de imagem: podem ser feitas radiografias para verificar a diminuição da densidade óssea e densitometria óssea para identificar a extensão da perda e auxiliar na forma de prevenção e tratamento.

Tratamento

O tratamento consiste em medidas de intervenções medicamentosas e não medicamentosas.

Medicamentoso (toda medicação deve ser indicada e prescrita por médicos, consulte o médico).

  • Vitamina D
  • Ranelato de Estrôncio
  • Calcitonina Bisfosfonatos: Alendronato, Risedronato, Ibandronato, ácido Zoledrônico
  • Teripararatida (PHT 1-34)

Não medicamentoso

  • Exercício físico
  • Prevenção de quedas
  • Interrupção de fumo
  • Redução do consumo de álcool

Prevenção

  • Alimentação adequada – indicada dieta rica em cálcio
  • Prevenir quedas
  • Evitar excesso de álcool
  • Interromper com fumo
  • Diminuir o consumo de café e sal
  • Fazer exercícios físicos suaves.

Assistência de Enfermagem

A enfermagem deve orientar o paciente, a família e o cuidador sobre a osteoporose, esclarecer sobre os cuidados, o tratamento incluindo o uso de medicamentos (prescritos pelo médico) e a prevenção. Se possível, avaliar o ambiente domiciliar para verificar as possibilidades de risco de queda (tapetes, vão de escadas, brinquedos no chão, falta de barras no banheiro, entre outros). Quando necessário encaminhar para uma avaliação multidisciplinar com médico, educador físico e nutricionista.

Diagnóstico de Enfermagem

A fratura vertebral é algo que acomete os pacientes com osteoporose, considerando esse diagnóstico, a enfermagem classifica:

  • Dor aguda
  • Risco de constipação
  • Risco de lesão

Prescrição de Enfermagem

  • Alívio da dor – repouso no leito em posição de decúbito dorsal ou lateral (Figuras 3 e 4).

Figura 3. Posição de decúbito dorsal. Fonte: http://cienciasmorfologicas.webnode.pt/introdu%C3%A7%C3%A3o%20a%20anatomia/posi%C3%A7%C3%A3o%20anatomica/

Figura 4. Posição de decúbito lateral. Fonte: http://cienciasmorfologicas.webnode.pt/introdu%C3%A7%C3%A3o%20a%20anatomia/posi%C3%A7%C3%A3o%20anatomica/

  • Constipação – dieta rica em fibras, aumento no consumo de líquidos.
  • Risco de lesão – verificar a capacidade atual do paciente para mobilidade, verificar limitações aos movimentos, resistência, capacidade de ficar em pé e suportar o próprio peso, sempre tendo como objetivo a melhora do paciente e respeitando suas limitações.

Resultados esperados

  • Dor aguda: apresentar alívio da dor em repouso, apresentar pouco desconforto nas atividades diárias.
  • Constipação: padrão de evacuação normal, sons intestinais ativos.
  • Risco de lesão: boa postura, boa mecânica corporal, participar de atividades ao ar livre.

O enfermeiro tem como foco o paciente, assim ressalta-se a importância do cuidado, do aprendizado, da responsabilidade e da humanização.

Esperamos ter contribuído de alguma forma para pacientes com essa patologia.

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Dayane Oliveira; BRUNA, Thiara. Assistência de Enfermagem Prestada ao Paciente Idoso Portado de Osteoporose. Net-Saber Artigos. Disponível em: < http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_14734/artigo_sobre_assistencia-de-enfermagem-prestada-ao-paciente-idoso-portador-de-osteoporose>. Acesso em: 17 ago. 2017.
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Regina de Souza; tradução Patricia Lydie Voeux. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
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SILVA, Maria Rita de Sousa; ANDRADE, Sara Rosa de Sousa; DO AMARAL, Waldemar Naves. Fisiopatologia da osteoporose: uma revisão bibliográfica. FEMINA , [S.l.], v. 43, n. 6, p. 241-244, nov. 2015. Disponível em: <http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43n6/a5322.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2017.
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