A Importância da Enfermagem no Teste do Pezinho

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O Teste do Pezinho consiste em exames laboratoriais que fazem parte da Triagem Neonatal que inclui também os testes do olhinho, do coraçãozinho e da orelhinha, sendo importante para diagnosticar alterações que possam prejudicar o desenvolvimento do recém-nascido (RN). Tem por objetivo rastrear algumas doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas, antes mesmo que os sintomas se tornem evidentes, facilitando assim a inclusão do RN em tratamento específico, a fim de amenizar ou eliminar sequelas associadas a cada doença, permitindo-lhe uma melhor qualidade de vida.

A triagem neonatal teve inicio no Brasil em 1976 pelo Prof. Benjamin José Schmidt, o qual criou um projeto pioneiro de triagem neonatal para fenilcetonúria, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo. Em 1986, incluiu-se a triagem para hipotireoidismo congênito. Já na década de 90, o rastreamento dessas patologias ficou conhecido como Teste do Pezinho, pois a amostra é obtida por meio de punção do calcanhar do RN, tendo em vista ser uma região altamente vascularizada e praticamente indolor.

Em 2001, por meio da Portaria GM/MS nº 822 de 6 de junho de 2001, foi instituído o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) e o banco de dados nacional criado pelo Ministério da Saúde (MS), que visava à detecção precoce, à confirmação de diagnóstico, ao tratamento e acompanhamento de doenças.

Para o teste, são colhidas algumas gotas de sangue do calcanhar do RN e colocadas em papel filtro. A coleta deve ser feita no período correto, o qual não deve ser feito inferior a 48 horas da alimentação proteica e nunca superior a 30 dias de vida, ressaltando que o período ideal é entre o terceiro e o quinto dia de vida, inclusive para RN na UTIn.

O teste detecta as seguintes doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

Fenilcetonúria – doença genética caracterizada pela falta da enzima fenilalanina hidroxilase em maiores ou menores proporções, o que impede a transformação do aminoácido fenilalanina em tirosina. Esse acúmulo de fenilalanina no sangue é tóxico, principalmente para o cérebro, podendo causar deficiência intelectual.

Hipotireoidismo congênito – doença hereditária que impossibilita a glândula tireoide do recém-nascido gerar o hormônio tireoidiano T4, visto que em crianças pequenas esse hormônio é fundamental e a ausência dele diminui o metabolismo, impedindo o crescimento e o desenvolvimento físico e mental do indivíduo.

Anemia falciforme – doença genética e hereditária, caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, os quais perdem a forma arredondada e elástica, adquirindo o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme), se endurecem, impossibilitando assim a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.

Fibrose cística – doença genética, crônica e que afeta principalmente os pulmões, pâncreas e o sistema digestivo.

Hiperplasia adrenal congênita – doença genética, caracterizada por distúrbios no funcionamento das glândulas adrenais.

Deficiência de Biotinidase – doença hereditária, na qual o metabolismo no organismo não consegue obter a vitamina biotina, presente em alimentos que compõem uma dieta normal.

No Sistema Único de Saúde (SUS) o teste do pezinho é a maior iniciativa na área da genética e prevenção, sendo constituído por cinco etapas: triagem universal, busca ativa, realização de testes diagnósticos, tratamento e avaliação periódica do sistema.

Primeira etapa – todos os RN devem ser triados e a equipe multiprofissional é essencial, visto que os profissionais são responsáveis pela orientação dos pais sobre: a existência do teste do pezinho; os benefícios da detecção precoce das doenças a serem triadas e riscos existentes para o RN que não é submetido ao teste; a idade ideal para sua realização; a necessidade de exames diagnósticos para os que forem positivos na triagem; a existência de falsos-positivos e falsos-negativos; o processo de acompanhamento e recebimento dos resultados.

Segunda etapa – busca ativa, acompanhamento do resultado e localização do RN e sua família, principalmente se o resultado da triagem for alterado.

Terceira etapa – realização de testes diagnósticos nos quais se diferenciam os resultados positivos dos falsos‑positivos.

Quarta etapa – tratamento, sendo realizado geralmente por toda a vida e monitorado por equipe multidisciplinar do Serviço de Referência em Triagem Neonatal.

Quinta etapa – avaliação crítica do sistema, que dever ser permanente, pois permite analisar a efetividade da triagem neonatal.

Procedimento

– É realizado o preenchimento do cadastro com todas as informações para facilitar o acesso e, se necessário, uma segunda convocação.

– As orientações para realização do teste são transmitidas ao responsável, inclusive sobre a forma correta de posicionar o bebê para realização do procedimento.

– O RN e seu responsável são encaminhados para uma sala reservada, tranquila, aconchegante e sem ar condicionado, pois o frio pode interferir no fluxo sanguíneo.

– Todo o material deve estar previamente separado em uma bancada ao alcance do profissional para a realização do procedimento: luva de procedimento, recipiente com álcool a 70% para esterilização do local, lanceta estéril, algodão e papel filtro (com círculos pontilhados definindo a região da coleta).

– Para realização do procedimento, o responsável deve estar em pé, segurando o bebê no ombro em posição de arroto, enquanto o profissional permanece sentado prosseguindo com a realização do teste, ao passo em que é feita a antissepsia no local da perfuração em uma das laterais da região plantar do calcanhar (local menos propenso a atingir o osso).

– Não devem ser utilizadas agulhas, e sim lancetas para evitar um sangramento excessivo, para não haver necessidade de comprimir o pezinho do bebê.

– Para não ocorrer hemólise sanguínea, é necessário utilizar uma compressa morna assim melhorando o fluxo do sangue.

– Depois de feita a punção do local é esperada a formação de uma grande gota de sangue que será desprezada, que é retirada com algodão, pois pode conter fluidos teciduais no qual ocorrem alterações no resultado do teste.

– É utilizado o papel filtro em movimentos circulares coletando a gota seguinte com o preenchimento total do círculo que contém no papel filtro, realiza-se este procedimento até o preenchimento de toda a área definida, mantendo o cuidado de secagem do círculo antes de preencher o próximo.

Figura 1. Teste do pezinho.

O teste é realizado por enfermeiros, os quais além de fazerem o teste, já acompanham as gestantes nos postos de saúde, podendo orientá-las sobre a importância do exame. Mais uma vez a enfermagem atuante na orientação, acompanhamento, prevenção e diagnóstico. É necessária a atualização e informação aos profissionais de enfermagem, pois são os que estão mais próximos dos RN, mães e famílias.

 

REFERÊNCIAS

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