A Enfermagem na Cultura de Feridas

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A realização da cultura de ferida tem o objetivo de confirmar se há infecção, sendo uma análise microscópica de uma amostra da lesão. Essas culturas podem ser anaeróbicas, que identificam microrganismos que necessitam de pouco ou nenhum oxigênio e que aparecem em áreas de pouca perfusão tecidual, como úlceras e pós-operatório. Nos casos das aeróbicas, são realizadas para detecção de microrganismos que habitualmente aparecem em feridas superficiais. A cultura de feridas é indicada em casos que incluem febre, como também inflamação e drenagem no tecido lesado.

É importante a coleta de possíveis focos quando o paciente se enquadra no protocolo de sepse, sendo essencial que o enfermeiro esteja atento e agilize a coleta de todos os focos possíveis, ele deve retardar o mínimo possível o início da antibioticoterapia.

Lembrando que no contexto de longos internamentos e presença de lesões por pressão, estas podem se configurar um foco infeccioso

O objetivo da cultura de ferida é identificar micróbio infeccioso. A ausência de microrganismos patogênicos é considerada achado normal do exame. Já nos achados anormais podem constar:

Streptococcus.

Escherichia coli e outras Enterobacteriaceae.

Peptococcus.

Staphylococcus aureus.

– Algumas espécies de Pseudomonas.

– Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A.

Bacteroides.

– Proteus.

Clostridium.

Existem alguns fatores que podem interferir como transporte inadequado da amostra, permitindo que a amostra seque, como também a deterioração das bactérias e o paciente não relatar algum tratamento antimicrobiano atual ou recente, ocorrendo possível resultado falso-negativo.

A equipe de enfermagem realiza as seguintes ações nesse procedimento:

– Notificar resultados anormais ao médico.

– Orientar o paciente sobre o diagnóstico.

– Oferecer apoio emocional ao paciente e familiares.

– Administrar terapia antimicrobiana, se indicado.

– Realizar precauções de isolamento, se necessário.

As precauções constituem em:

– Usar luvas durante o procedimento e o manuseio da amostra, e tomar as precauções de isolamento necessárias quando enviar a amostra ao laboratório.

– Limpar rigorosamente a área ao redor da ferida para, assim, limitar a contaminação da cultura pela flora normal da pele, como Staphylococcus epidermidis, difteroides e estreptococos alfa-hemolíticos. Não limpar a área ao redor de uma ferida perineal.

– Atentar-se para que nenhum antisséptico penetre na ferida.

– Obter o exsudato de toda a ferida, usando mais de um swab, caso necessário.

– Colocar rapidamente a amostra no tubo de cultura; atentar-se para que não entre ar no tubo e verificar se as rolhas duplas estão seguras, pois alguns anaeróbios morrem na presença de até mesmo pequena concentração de oxigênio.

– Manter o recipiente da amostra em posição vertical e enviá-lo ao laboratório no período de 15 minutos para evitar a deterioração ou crescimento dos micróbios.

Antes do Exame

– Confirmar a identidade do paciente usando dois identificadores, de acordo com as normas da instituição.

– Informar ao paciente que a cultura de ferida é realizada para identificar micróbios infecciosos.

– Explicar o procedimento e informar ao paciente que uma amostra de drenagem da ferida será obtida através de uma seringa ou removida em swab de algodão estéril.

Durante o Exame

– Calçar luvas, preparar um campo estéril e limpar a área ao redor da ferida com solução antisséptica.

– Na cultura aeróbica, espremer a ferida e obter a maior quantidade possível de exsudato com swab, ou inserir o swab profundamente na ferida, efetuando uma rotação delicada. Colocar imediatamente o swab no tubo para cultura aeróbica.

– Na cultura anaeróbica, introduzir o swab profundamente na ferida, fazer uma rotação suave e colocar imediatamente o swab no tubo para cultura anaeróbica.

– Como alternativa, introduzir a agulha na ferida, aspirar 1 a 5 mℓ de exsudato na seringa e injetá-los imediatamente no tubo para cultura de anaeróbios. Se a agulha estiver recoberta por uma tampa de borracha, o aspirado pode ser enviado ao laboratório na seringa.

Após o exame, registrar na folha de requisição do laboratório qualquer terapia antimicrobiana recente, a fonte da amostra e o microrganismo suspeito. Rotular o recipiente da amostra com o nome do paciente, nome do médico, número da instituição, local da ferida e hora da coleta.

 

REFERÊNCIAS

FISCHBACH, F. T. Exames laboratoriais e diagnósticos em enfermagem. 9. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
SMELTZER, S.C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Exames Complementares. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

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